Thursday, September 2, 2010

Planejamento motor grosso- nossa experiência










O Pedro foi carinhosamente apelidado de criança King Kong porque quando ele passava levava tudo em seu caminho para o chão, ele tropeçava e levantava parecendo nem perceber o que tinha acontecido.

Outra característica interessante é que ele parecia perder o foco, vamos dizer, era uma falta de completar o que ele tinha planejado e não um voar no pensamento.

Teve uma vez em que ele pediu água, ele estava com sede, ou seja, o grande motivador estava presente, o pai serviu o copo de água e mostrou ao Pedro, o Pedro viu e só precisava atravessar uma sala pequena para alcançar o copo d'água e matar sua sede, porém, depois de dois passos ele parecia não saber o porquê estava se movendo, o que tinha planejado fazer, mesmo que o motivador, a sede no caso, ainda estava presente.

O Pedro sempre foi de muito movimento mas, tinha algo no mover-se dele que me intrigava, ele parecia não estar muito no controle dos movimentos, muitas vezes até era nítido que o movimento do corpo dele era o que controlava a pessoa dele.

Com isso fomos apresentados aos problemas de planejamento motor, academicamente conhecida por dispraxia motora grossa. O cérebro do Pedro se perde, hoje com menos freqüência e intensidade, no como executar os movimentos seqüenciais para a tarefa, a reação dele aos estímulos também é mais lenta, o que complica mais todo o processo.

O que nós fizemos para ajudá-lo foi dar ao seu sistema nervoso central muita experiência em movimentos seqüenciais, uma vez esses movimentos assimilados pelo cérebro eles passam a ser automáticos e a execução de tarefas mais eficiente, o desgaste de energia e atenção desprendida também é menor para movimentos que deveriam ser automatizados, com isso "sobra" mais atenção e energia para interagir com o mundo.

Dentro das estratégias de estimulação que nós usamos foram incluídas muita dança com movimentos simples porém que variavam conforme o ritmo e a letra da música, a velocidade era bem diminuída, por isso, ao invés de usar música gravada nós cantávamos ou mantínhamos o ritmo com a nossa voz. Essa diminuição na velocidade era levando em consideração a forma mais lenta que o Pedro processava as informações.

Também trabalhamos as coreografias das músicas infantis, e aqui aproveitávamos para incluir movimentos do Brain Gym, o constante mudar a cabeça de posição e bilateralidade, tudo muito lento dando o tempo de amadurecimento das novas conexões neuroniais que estávamos estimulando.

Outra atividade usada foi o circuito, aqui eu preparei um percurso que incluíam vários movimentos distintos, o objetivo era treinar o cérebro a mudar de um movimento a outro completamente diferente. Os movimentos haviam sido previamente ensinados por imitação através do ABA e aqui deveriam ser performados com um enfoque de amadurecer o planejamento motor.

Um percurso seria pular como sapo em cinco tapetinhos quadrados colocados no chão, depois subir numa plataforma e saltar com os pé juntos, depois engatinhar através de um túnel, depois girar dentro de um bambolê e terminar com cinco polichinelos. Este circuito era modificado a cada 15 dias em média. Alguns movimentos eram mantidos, porém em ordem distintas, outros movimentos eram substituídos.

Alguns problemas que nós enfrentamos foram em manter o Pedro no circuito ou criar uma previsibilidade do que ele tinha que fazer, nós resolvemos isso colocando uma fita crepe no chão para delimitar a área do circuito, primeiro a fita crepe delimitava os dois lados, duas faixas paralelas, depois ele já conseguia se manter no circuito só com uma faixa de fita crepe, até q a fita crepe foi totalmente eliminada. Para ajudá-lo na previsibilidade nós colocamos folhas no chão escrito o que ele deveria fazer (pular como sapo, saltar, engatinhar, rodar), nós aproveitamos a habilidade de leitura do Pedro, para uma criança que ainda não saiba ler, porém precisa desse suporte é possível usar figuras explicando o que ela deve executar.

Exercícios mais avançados de planejamento motor são a corda bamba e a parede de escalada. É interessante que na corda bamba a tensão da corda seja mudada, assim cria mais desafio, na prática isso acontece naturalmente porque os nós cedem, então é só lembrar de não apertar tão prontamente, para a parede de escalada as agarras devem ser móveis, assim podem ser criados caminhos de escalada diferentes forçando com que a mente esteja sempre engajada na ação.

1 comment:

  1. O vídeo do youtube abaixo tem um ótimo exemplo de circuíto aliado com os princípios do RDI, elaborado na sala da casa.

    http://www.youtube.com/user/fatakw#p/u/24/eocwXOeSync

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