Mais um ano passou e aqui estou fazendo um apanhado dos motivos que tenho para agradecer.
Bem,
tenho meu marido, companheiro de todas as horas, há mais de 25 anos.
Como não me sentir grata? Nosso filho mais velho que bateu asas do ninho
paterno e tem seu prórpio cantinho: feliz ele, felizes nós, certo?
Nosso caçula, nosso autista, continua evoluindo, em seu tempo e ritmo,
incessantemente. Através do autismo conheci pessoas especiais, nossas
vidas são muito mais plenas e ricas graças a ele. Como não agradecer,não
é mesmo?
Mas, na verdade tenho um grande motivo para
agradecer ao Criador, sempre e sempre: o fato de estar aqui agradecendo.
Afinal estou viva para agradecer, não é mesmo? A vida sempre vale a
pena.
Não acredito em anos bons e anos ruins. Todos os
anos são bons, a vida não é sobre o quão festiva ela é, mas sobre o
quanto aprendemos e nos tornamos pessoas melhores, fazendo a diferença na vida dos outros.
Sendo assim, todos os anos são bons, ainda que possamos não ser
suficientemente sábias para nos apercebermos disso.
Há sim, anos mais ou menos difícies. Os anos difíceis geralmente são os melhores.
Esse ano de 2014 foi dificílimo.
Sofri a maior perda que jamais tive ao longo dos meus 60 anos. Perdi
meu pai, minha referência de ser humano, meu esteio moral desde
sempre. Muito difícil. Aprendi que a dor fere, quase nos paralisa, mas a
vida segue e nós com ela. Vamos capengando, lastimando a ausência do
ser querido, mas vamos em frente.
Aprendi,com uma
tragédia brutal, ocorrida com a família de minha mais antiga amiga, que
somos fortes, muito fortes. Não nos deixamos desintegrar ou esfacelar,
apesar da barbárie. Nos unimos,nos apoiamos, nos confortamos, e seguimos
em frente, pela vida afora, nos escorando
mutuamente. Até que um
belo dia já conseguimos andar sozinhos. Nunca mais como antes, mas da
melhor forma possível. A melhor forma possível, acreditem, é o melhor
naquelas circunstâncias.
Aprendi que nada é permanente.
Que atividades que nos deram muito prazer e ganho podem, em algum
momento, não mais serem possíveis em nossa vida. A vida segue, nós
mudamos e nossos interesses e necessidades também serão outros. Tudo na
vida é dinâmico. Esse impositivo, eventualmente, nos constrange a fazer
escolhas nem sempre fáceis. Mas sobrevivemos, a vida segue e nós com
ela. E seguimos bem, acreditem.
Aprendi, finalmente, que
meus recursos físicos são finitos. Aprendi que meu corpo, sábio em sua
profunda natureza, se rebela quando não aceito suas limitações.
Recusei-me a diminuir o ritmo, imaginando-me muito poderosa, e meu
organismo resolveu a questão, parando e refazendo-se. E eu, sem outra
opção, aceitei, reconheci-me frágil e segui em frente, mais
vagarosamente, mais compassivamente, pois que a vida segue e eu sigo com
ela.
Então, vejam, não só esse ano foi nuito
difícil,como foi o ano mais importante vivido por mim até hoje. Aprendi
lições duras e necessárias.
Sou uma pessoa melhor hoje do que ontem? Talvez.
Estou mais em paz comigo mesma? Nem sempre.
Mas,
de uma forma sutil, estou mais sábia hoje do que ontem. Conheço-me mais
e melhor. Esse conhecimento ajuda na jornada que me resta, ao longo da
estrada da vida.
Por isso, como não agradecer? A vida
traz em seu bojo, mercê da bondade infinita de Deus, a solução
necessária. Só precisamos viver, com vontade, com gana! A cada ano
estaremos não somente diferentes, mas estaremos melhores. Sempre digo,
as coisas sempre melhoram! E, por
essa certeza, eu agradeço, de todo coração!