Monday, February 11, 2013

ABA - plano para mudança de comportamento socio-emocional

ESTE É UM EXEMPLO PESSOAL E NÃO UMA FÓRMULA A SER SEGUIDA

Abaixo o plano que foi utilizado para a mudança de comportamento do Luís que era baseado em questões sócio-emocionais. Para os comportamentos com base na dificuldade de comunicação, estratégias com esse foco foram utilizadas. Aqui, a escolha depende da motivação do comportamento e não do comportamento em si.

Ser bom!
Aprecie Luís quando ele estiver sendo agradável. Isso significa que, diga "Você é um bom menino!", quando Luís NÃO estiver mordendo, batendo, chutando, puxando, empurrando ou qualquer tipo de agressão.
Se a agressão é contra alguém, incluindo você, seja firme, diga NÃO chute ou o que for a agressão, não se esqueça de fazer contato visual para fazer Luis sentir-se mal sobre sua ação.
Se a agressão é contra brinquedos, apenas lembrá-lo com um tom de voz firme: "Lembre-se, não se chuta os brinquedos. Você precisa ser bom com os brinquedos!".

  
Adesivo do bom menino
Para este programa, foi trabalhada uma etapa anterior:
Coloque um adesivo na camiseta do Luís e diga que ele é um menino legal, por isso está recebendo o adesivo de menino legal e porque ele tem este adesivo ele pode acessar uma caixa de prêmios, que são brinquedinhos simples que precisam do outro para funcionar (assim é mais fácil de retirá-lo e retorná-los à caixa) como brinquedos de corda, piões. De 3 em 3 minutos faça a checagem de adesivo, se o Luís estiver com seu adesivo ele ganha um novo acesso à caixa de recompensas. Caso ele agrida alguém, perde o adesivo e o direito a acessar a caixa, até q se passem 3 minutos sem agredir a ninguém.
O intervalo para checar o adesivo de bom menino do Luís foi aumentado gradativamente, a cada 5 minutos, a cada 10 minutos, a cada 20 minutos. Neste ponto, já havia-se criado no Luís a "cultura pelo adesivo", ou seja, só o fato de ter o adesivo e isso significar que ele era um bom menino já bastava como prêmio para o Luís.

Cloque um adesivo na camiseta do Luís. A cada 20 minutos faça a "checagem de adesivo".
Se o Luís não mostrou nenhum comportamento agressivo, aprecie-o dizendo "Você é um menino legal, você está com seu adesivo de menino bom".
No momento que o Luís demonstrar qualquer agressão contra pessoas (contra brinquedos ainda é permitido por agora) TIRE SEU ADESIVO e diga "Não é legal morder/chutar, você perdeu seu adesivo por isso"

Ficar calmo!
OBJETIVO: Situações que promovem escalada emocional Luís: espera; quebrar sua rotina ou padrão (flexibilidade)

AÇÃO: Interferir na rotina do Luís, mas antes que haja a perda de controle, aprecie-o por ter se mantido calmo. No começo você precisa ser MUITO rápido.

Algumas idéias: Com o Sr. Cabeça de Batata, olhos diferentes, chapéu, sapatos. Você pode esconder os seus favoritos e quando ele escolher um outro você pode dizer: "Oba! Você tentou um chapéu diferente E você ficou calmo!" então você pode dar a sua peça favorita como prêmio.




Complacência
Peça ao Luís para fazer algo e aprecie quando ele fizer. "Você fez o que eu pedi, isso foi tão legal!"

Me dê ....
Sente .....
Coloque o ..... no .....
Levante .....
Bata palmas .......

Revezar a vez
Jogos - Escolha jogos que precise de algum material que possa ser compartilhado como dados, martelinhos, etc.

Esperar
Para descer no escorregador, derrubar blocos, jogar a bola, pular nas almofadas, etc
Comece com a espera de 1 segundo, aprecie essa espera, mesmo que breve, depois vá aumentando o tempo, se a criança sabe números, conte os segundos com ela para ajudá-la, no começo, a contar o tempo. Com o entendimento dos segundos, você pode usar timer para ter um apoio visual do tempo passando.



Circuíto de brincadeiras
O objetivo é desenvolver novas habilidades e interesses em brincadeiras e trabalhar nas transições. Intercale brincadeiras preferidas com novas brincadeiras.

Ajuste o timer. Ele precisa ficar 10 minutos pelo menos nas atividades novas e não mais que 15 minutos nas atividades preferidas.

Para as transições, mostre o timer: "nós precisamos brincar mais .... minutos com .... " (atividade não preferida); "Você tem mais 5 minutos com .... (atividade preferida) então nós vamos fazer outra coisa"

Atividades preferidas (do Luís)                                         Novas atividades (para o Luís)
Sr Cabeça de Batatas                    Colorir com giz de cera (não deixar q ele os use para estereotipia) 
Brinquedos de comida                                                              Massinha (não deixar q ele os use para estereotipia)
PEGS                                                                                        Carrinhos
Elefun                                                                                       Fazendinha
Quebra-cabeças                                                                        Casinha de bonecas
Pig bank                                                                                    Projetos de arte
Chapéis/ Mascaras
Instrumentos musicais

Apontar

Apontar é uma comunicação não verbal importante.
Organize um brinquedo para trabalhar em apontar como os pegs, pig bank, quebra-cabeças e dê ao Luís duas escolhas, ele precisa escolher apontando, se ele disser a cor, peça-lhe para mostrar (apontando apontando qual é a cor).
Se ele diz "verde", diga-lhe: "Mostre-me qual é o verde"
    


 Acesse também:
 Comportamento socio-emocional e autismo
 ABA na brincadeira 
AT EASE Model

Friday, February 1, 2013

Comportamento socio-emocional e autismo

Apesar de cada indivíduo ser único, existem alguns fatores comuns que impactam muitas pessoas com autismo. A comunicação limitada ou falta de comunicação é um fator importante que afeta o comportamento desses indivíduos. Pessoas não-verbais ou verbais mas com dificuldade de organizar sua linguagem, podem apresentar comportamentos inadequados para indicar as suas necessidades ou desejos.

Outro fator importante afetando o comportamento dos indivíduos com autismo podem envolver os sentidos da visão, tato, audição, paladar, olfato, assim como os estímulos proprioceptivo e vestibular. Muitos dos indivíduos coma autismo apresentam problemas de integração sensorial.

Características sociais e emocionais incluem questões de ansiedade, baixa tolerância à frustração, medos excessivos, ataques de pânico e interação social limitada. Ansiedade, medos e ataques de pânico podem fazer com que a pessoa se retire isolando-se dos demais e mesmo que corra para longe das pessoas saindo em disparada. Baixa tolerância à frustração pode resultar em extrema raiva que acaba levando a pessoa a uma escalada de agressão física ou verbal. Todas estas características podem limitar a interacção social. Medos anormais, ansiedade e pânico podem inibir o indivíduo de interagir com os outros. Agressão física e / ou verbal fará com que os outros limitem suas interações com as pessoas que apresentam tais comportamentos.


Dificuldades de manter a atenção, impulsividade, distração, hiperatividade torna difícil de se concentrar em tarefas o que resulta em situações problemáticas. Pessoas impulsivas freqüentemente agem sem levar em conta as consequências. Obsessões e compulsões são problemáticas não somente para o indivíduo compulsivo, mas para os outros no ambiente também. Não é comum haver razões lógicas para as obsessões e compulsões.

As características do autismo também afetam as fameilias de muitas maneiras. Algumas famílias são capazes de lidar com certos desafios melhores do que outros. O indivíduo com autismo pode não apresentar muitos problemas de comportamento, ou a família pode ter mais recursos para lidar com essas situações. No entanto, é comum que as famílias com pessoas com autismo experiênciem mais estresse e frustração em suas vidas diárias que a maioria das famílias.

Em alguns casos, irmãos ou outros familiares sentem ciúmes ou constrangimento
associados ao membro da família com autismo.

Ficar diariamente com crianças com autismo pode exigir muito fisicamente. Os pais podem desenvolver uma falta de confiança em suas habilidades parentais porque os métodos e técnicas que leram e ouviram não funcionam com seu filho. Os pais também podem acabar isolados da família e amigos porque o comportamento da criança faz com que os outros evitem a interação com a família.

Na escola, até mesmo os professores bem qualificados podem dsentir estresse e frustração quando os métodos típicos não funcionam com um aluno específico. Programas para alunos com autismo podem ser fisica e emocionalmente desgastantes. Quando os métodos não funcionam ou param de funcionar, o professor pode ficar inseguro. Geralmente, o colegas de trabalho não entendem as situações com o qual estão lidando.

Para o sucesso ideal, pais e professores devem receber apoio extra para lidar com os problemas específicos de indivíduos com autismo.
 


Bibliografia: A Treasure Chest of Behavioral Strategies for Individuals with Autism by Beth Fouse e Maria Wheeler.

Para ler mais sobre comunicação e comportamento, clique aqui.
Para ler mais sobre comportamentos sensoriais, clique aqui.
Para ler sobre ABA, clique aqui.

Thursday, January 17, 2013

Grupo de Apoio a pais e familiares - janeiro 2013

Atenção, pessoal. Notícia MUITO legal! Quem não mora em SP vai poder participar do encontro de pais do domingo via Google Hangouts! Quer acompanhar a palestra da Marie Dorion? E ainda ter a chance de enviar perguntas? Fique atento que divulgaremos o link na página http://www.facebook.com/lagartavirapupa às 15h25 do domingo!


Programa Ser Saudável

Thursday, January 10, 2013

Emoções e comportamento - AT EASE Model

- Aprender com as emoções

É comum que quando as nossas crianças parecem nervosas ou estressadas nós façamos de tudo para “fazer passar” e que elas voltem a estar contentes, porém nossas crianças precisam aprender a tolerar todas as emoções e a única maneira de aprender isto é se nós tolerarmos que eles sintam essas emoções desconfortáveis.
 
As pessoas com autismo precisam tolerar uma variedade de emoções negativas como: decepção, frustração, confusão, irritação, raiva, tristeza, etc Estas emoções NÃO precisam ser intensas, mas elas terão que tolerar até certo ponto, a fim de atingir níveis mais elevados de aprendizagem. A cada degrau do desenvolvimento vêm níveis mais elevados de habilidades, emoções positivas e negativas a serem reguladas de forma a optimizar o potencial de aprendizado.


As relações de maior confiança da criança é a mãe e o pai, por isso pai e mãe precisam estar na liderança para definir limites claros sobre o comportamento da criança. Se a mãe e o pai não puderem tolerar que ela sinta desapontamento, frustração, alegria, irritação, confusão, etc então a criança também não será capaz de tolerar essas emoções nela mesma. É importante ressaltar que NÃO queremos que a criança vivêncie o estresse além do que é adequado para a sua idade de DESENVOLVIMENTO. 

 
Quando o adulto assume o controle e estabelece limites claros com compaixão, somente então poderá mudar como a outra pessoa se sente e DEIXAR de tentar controlar a situação e assim, mudar como ela pensa e se comporta, EXPANDINDO sua compreensão concreta da situação e seu crescimento.


As crianças julgam novas experiências baseadas em como a mãe e o pai reagem. Quando a criança se aborrece e a mãe e/ou o pai respondem a esse aborrecimento tentando “consertar", a criança percebe que seu aborrecimento valia a preocupação dos pais e, portanto, foi válido. Quando ela se aborrece e pai e mãe sorriem e continuam o que estavam fazendo, então ela percebe que seu aborrecimento pode não ser tão importante quanto ela pensava e, ela assim,  também aprende a ter mais tolerância para com emoções e experiências desconfortáveis. 


Nós não poderemos sempre evitar as emoções negativas. O melhor é minimizar as emoções negativas e ensinar a pessoa com autismo como tolerar confusão, frustração, decepção, raiva, irritação, etc Quanto mais ela aprender a tolerar essas emoções, mais flexível ela estará em aprender coisas novas. NÃO é suficiente apenas manter a pessoa feliz. Como todos nós, o autista precisa aprender e crescer para ser verdadeiramente feliz na vida.


Mudar como a outra pessoa sente NÃO implica que nós precisamos que ele esteja feliz o tempo todo. Ela precisa SENTIR uma emoção que a motiva a aprender e crescer.


- Comportamento-
O comportamento é impulsionado pela emoção. Quando aparece um comportamento inadequado a pessoa está sentindo algo que faz com que ela se comporte assim com o objetivo de processar a emoção que ela está sentindo. Às vezes, a pessoa pode estar irritada, entediada, confusa, etc. Impedir um comportamento inadequado exigirá que a pessoa aprenda a obter suas necessidades emocionais de uma forma mais adequada.

Quando a pessoa apresenta um comportamento inadequado que parece enrraizado e com multiplas funções é necessário que os adultos tenham respostas diferentes para as diferentes razões desse comportamento, onde, quando e em quem. Os adultos terão que encontrar estratégias criativas para fazer com que a pessoa se sinta responsável pela consequencia desse comportamento sem que essa consequencia faça com que aumente o comportamento que se quer eliminar.

Por exemplo, quando você SENTIR que a pessoa teve um comportamento inadequado porque ela estava se sentindo ansiosa, a sua resposta a esse comportamento pode ser um abraço para ajudá-la a sentir-se mais "at ease". Se você SENTIR que a pessoa se comportou inadequadamente porque ela estava entediada você pode orientá-la a dizer algo como: "Vamos brincar?" Diferentes emoções podem impulsionar o mesmo comportamento, por isso, precisamos dar respostas diferentes para abordar as diferentes emoções. Uma vez que a necessidade emocional é atendida, o comportamento inadequado irá diminuir. E você irá saber que está cumprindo suas necessidades emocionais com a diminuição do comportamento inadequado.

Deve-se ter o cuidado em NÃO colocar muita energia tentando fazer o comportamento inadequado parar.  Coloque a maior parte da sua energia em encher o “copo emocional” da pessoa com experiências positivas. Quanto mais cheio estiver  “o copo emocional” com experiências produtivas menos a pessoa estará inclinada a ter o mal comportamento.

Comportamento impulsionado pela raiva
- Quando o comportamento é impulsionado pela raiva é necessário que a pessoa seja responsablizada a reparar a ofença que seu comportamento gerou.

- A vida não é perfeição-

Reparar erros:  A pessoa com autismo, como qualquer pessoa, sempre cometerá erros. A vida NÃO é perfeição, é reparo. É importante aprender a "corrigir" os seus erros. Xingar, cuspir, fugir, bater, protestar, desafiar, contrariar, etc, são todos comportamentos que precisam ser reparados.

A importância da estratégia de reparo é dar a pessoa uma maneira de corrigir seus erros e não internalizar as conseqüências naturais associadas a cometer erros. Se ela interioriza as consequências ela pode começar a acreditar que ela é uma pessoa má. Repar os erros e fazer a pessoa que foi ofendida feliz novamente irá ajudar ao ofençor a entender que ela é uma boa pessoa que, como todas as outras pessoas, às vezes faz escolhas ruins (comportamentos inadequados) e ela precisa ser responsável e "corrigir" os seus erros.

Existem estratégias no “AT EASE” Parenting and Learning Model para facilitar o processo de reparar os erros dando ênfase ao crescimento emocional e que promovem a evolução do sistema motivacional INTRÍNSECO da pessoa para reparar e mater harmonicamente seus relacionamentos.

- Seja proativo- 
Prepare o ambiente e as situações para que a pessoa tenha successo. Minimize o quanto você tem que corrigi-la, mantendo-a ocupada ajudando você (compras de supermercado, por exemplo, fazer com que coloque seus sapatos, guardar as roupas limpas, oranizar coisas pela casa, etc.) Tanto quanto possível, dê a pessoa uma tarefa em todas as atividades que estão fazendo juntos, o que é chamado de "parentalidade proativa" e constrói confiança. Sem uma tarefa para se organizar, a mente da pessoa com autismo se distrai com o seu corpo e antes que você perceba já está precisando corrigi-la novamente. Isso é chamado de "paternalidade reativa", o que enfraquece a confiança. Mantenha a pessoa com autismo engajada em atividades significativas em todo o seu dia. NÃO FAÇA PARA ELA O ELA PODE FAZER POR ELA MESMA.

O Poder do SIM: É comum que a pessoa com dificuldades de aprednizado social ouça "Não" muitas vezes. Por razões compreensíveis, está constantemente sendo corrigida ou ensinada a como fazer algo. Todas as pessoas precisam ouvir a palavra "sim" MAIS do que ouvem "não". Dizer "sim" para a pessoa com autismo relaxa-a e torna-a mais disponível para a aprendizagem.

Você pode dizer "sim" para qualquer coisa. Por exemplo, se a pessoa quer ir para a piscina, você pode dizer: "Sim, você pode nadar quando o papai chegar em casa, amanhã, depois da escola." etc. "Posso ter um cachorro?" Sua resposta pode ser: "Sim, quando você tiver o seu próprio apartamento, você pode ter todos os cachorros que você quiser." O ponto é que podemos dizer "Sim" para praticamente qualquer coisa . Ao praticar dizer: "Sim" com mais freqüência para a pessoa com autismo o "Não" irá manter o poder de que precisa ter.

- Comunicação e linguagem-

Muitas vezes, a pessoa tem um comportamento inadequado porque ela está entediada ou confusa.  Transforme este comportamento inadequado em fala. Dê as palavras que você sente que a pessoa diria se ela não estivesse engajado no comportamento inadequado.

Quando falamos com qualquer pessoa, é importante que nós a guiemos a fechar a interação, dizendo coisas como, "feito", "tá bom, mãe!", "não, obrigado", etc

                                            - Connector rx-
Ao utilizar o Connector com uma pessoa com dificuldade de aprendizado social, ela experimenta o nível de tensão que a incentiva a trabalhar um pouco mais em sua comunicação e assim nos tornamos capazes de guiá-la a novos aprendizados. O Connector é uma ferramenta que viabiliza trabalhar a coordenação entre duas pessoas, referenciar e a atenção.


Para saber mais sobre "AT EASE Parenting and Learning Model" que inclui mas não se limita a estratégias de como perceber a emoção que impulsiona o comportamento, participe do curso fazendo sua inscrição pelo site www.paceplace.org


Leia também: AT EASE intervenção precoce

Tuesday, January 1, 2013

Intervenção Precoce - AT EASE model

- Explorar o mundo - 

Muitas das crianças pequenas com o diagnóstico de autismo, além da dificuldade de comunicação, socialização e comportamento tem dificuldade em movimentar seus corpos no espaço. É comum que sejam “estabanadas” que derrubem as coisas, trombem nos colegas, empurrem outras pessoas ou se movimentem de forma muito jovem para a idade que tem.
Constantemente, por uma questão de sistema vestibular, elas ainda precisam dos olhos para manter o equilíbrio e perceber seus corpos e movimentos em relação ao ambiente que estão, com isso, seu foco de atenção fica comprometido, comprometendo também a maneira com que elas conseguem explorar o mundo à sua volta, o que inclui a relação com as pessoas.

Em idade precoce, se faz necessário que se aprenda sobre a vida através de brincadeiras. A brincadeira é a forma mais eficaz de ajudar as crianças pequenas a aprender como efetivamente compartilhar suas experiências com outras pessoas e antecipar o que vai acontecer a seguir.

As crianças se beneficiam de uma variedade de experiências sensoriais com a mãe, pai ou adultos próximos, o que ajuda a integração sensorial e dá suporte aos seus corpos entenderem o que estão experimentando. É importante observar que experiências sensoriais são EMOÇÕES, o que se toca, vê, ouve, cheira e saboreia. 

Jogos antecipatórios:
Um ótimo canal de interação com as crianças é através de brincadeiras físicas. Existe uma variedade de estratégias a serem exploradas para ajudar com que as crianças com autismo compartilhem a alegria que experimentam quando brincam dessa maneira a fim de AMPLIAR a sua alegria com a mãe, pai ou adulto que está com ela. Uma das estratégias inclui trabalhar o olhar e assim é possível o compartilhamento nossas emoções positivas. Este processo é chamado de amplificação e ajuda a garantir um vínculo saudável e positivo entre a criança e seus cuidadores importantes. Depois de estabelecer uma rotina previsível, também devemos incentivar a criança a olhar para nós ANTES de o pegarmos para brincar com ela. Isso ajuda a criança a entender que o contato visual é comunicativo e faz as coisas acontecerem, reforçando um desejo natural de aumentar o uso social do contato visual.

Por exemplo, quando fazemos barulhos tipo ohhh, ahhhh, grrrr, chama a atenção da criança que acaba voltando o olhar para nós, essa atecipação do que vamos fazer com a criança dentro de uma brincadeira é importantíssima. É essa antecipação que trabalha a manutenção da atenção e o “estar atento” ao mundo à nossa volta. Como a fala é uma dificuldade para muitas das crianças pequenas diagnosticadas com autismo e as interações sociais também, é importante criar um meio, um atalho para que a criança inicie essas interações de uma forma mais fácil, com um gesto, um movimento com o corpo. Isso é importante também porque o gesto é mais fácil de ensinar, uma vez q podemos mover a mão dela, o que não acontece com fazê-la falar. Para a interação ser proveitosa no desenvolvimento da criança ela precisa acontecer, isso quer dizer, a criança precisa poder iniciar a interação e não ser somente entretida.

Antecipar o que vai acontecer a seguir: O contato visual é o primeiro passo para ajudar as crianças a aprender a antecipar o que vai acontecer a seguir. Ter um papel a desempenhar nas interações também é importante para as crianças aprenderem essa anetecipação. Mantê-las envolvidas na atividade ajuda com que aprendam sobre a rotina e padrões associados com o que estão vivênciando ao invés de “ficarem presas” ao que se passa somente dentro de suas próprias mentes. Assim, também aprende-se a expandir a capacidade de atenção, planejar motoramente seu corpo, coordenar com os outros, organizar-se no espaço e no tempo, etc

Além disso, é importante que as crianças pequenas trabalhem seu planejamento motor tanto quanto possível durante todo o seu dia. Muitas vezes é necessário que se dê suporte para que elas sejam capazes de explorar os movimentos de seus corpos, mas este suporte não pode interferir no trabalho muscular e de sequenciamento da criança em executar pequenas tarefas, em outras palavras, este suporte é a ajuda necessária para que a criança faça por si e não fazer por ela. Existem muitas oportunidades durante todo dia que permitem que as crianças trabalhem seus corpos para completar tarefas de forma independente ou oportunidades em que podemos mostrar seus corpos como fazer uma tarefa: desde subir na cadeira do carro até colocar o cartão de crédito na máquina da loja. Nenhuma tarefa é muito pequena ou insignificante e as crianças precisam de TODAS as experiências que elas puderem ser expostas. A crianças pequenas, em geral, precisam de muita prática para organizar seu sistema motor.

Quanto mais a criança for motoramente envolvida nas atividades, mesmo que fisicamente movendo seu corpo para que ela participe, mais ela conseguirá focar a atenção na atividade, Somente se ela focar a atenção é que conseguirá aprender. O principal objetivo das habilidades sociais é aprender com o outro, é ter um mentor ou guia. Tendo um adulto que consiga implementar estas estratégias que organizam o sistema sensorial da criança e assim “abri-lo” ao aprendizado desenvolverá o verdadeiro significado das habilidades sociais, que é o compartilhamento de experiências.

- Comunicação e linguagem-
"menos é mais"
As crianças com autismo apresentam um atraso de linguagem. Fazer-lhes perguntas pode tornar a situação muito confusa para eles, principalmente quando eles não podem responder verbalmente às perguntas. 

As crianças precisam dos adultos em sua vida para guiá-los, fazer excessivas perguntas, principalmente quando a situação não depende da decisão da criança gera mais ansiedade do que necessário, e isso torna os momentos de transição ainda mais desafiadores. Seja decisivo com suas palavras e faça declarações. Use uma linguagem lúdica e divertida para que elas saibam o que esperar e que as situações são fatos e não controle ou descontrole da vida.  Por exemplo, é mais fácil para as crianças entenderem e organizarem seu sistema motor quando as pessoas dizem coisas como, "Sapatos" e então buscam os sapatos e ao invés de perguntar-lhes: "onde estão seus sapatos?". Fazer perguntas ou pedir coisas que a criança não pode responder só irá ensiná-la que a linguagem é inútil e confusa.


Para crianças não-verbais ou ainda pré-verbais é necessário que se limite a quantidade de linguagem usada na comunicação com elas, a fim de ajudá-las  a aprender melhor a fala. Por exemplo, dizer-lhes frases de 3-5 palavras para pedir algo ou fazer alguma coisa é muita informação para as crianças não-verbais processarem. Isso faz com que seus sistemas de linguagem fiquem sobrecarregados e a única opção que elas tem é o de evitar a interação ou ignorar o adulto. Se limitarmos a nossa comunicação para frases de 1-2 palavras e mover o corpo da criança para coordenar com o que estamos dizendo, aumentamos a probabilidade da imitação verbal do que foi dito e ao mesmo tempo ela EXPERIÊNCIA o que as palavras significam.

Bons comunicadores não-verbais tem mais chances de se tornarem bons comunicadores verbais. Ensine a criança a fazer gestos, apontar, etc Faça a orientação mão-sobre-mão e MOSTRE-lhe como mostrar-lhe as coisas, aponte para as coisas etc. Mostre-lhe EAXATAMENTE o que fazer com as mãos e quando fazê-lo.


As crianças verbais ou não-verbais precisam de um sistema de comunicação efetivo. Sem ter como se comunicar, a alternativa que seus cérebros encontram como efetiva é protestar através de seus comportamentos, isso, geralmente força as pessoas a entrarem em sucessivas tentativas (muitas vezes frenéticas) em advinhar a necessidade ou vontade dessa criança. É mais saudável para todos os envolvidos que se ensine à criança a usar gestos convencionais (apontar, trazer algo para a mãe para que ela abra para ele, etc) e o uso de troca por figuras (PECS). O ideal é que a criança, mesmo as verbais, tenham uma variedade de  estratégias socialmente apropriadas de comunicação e usá-las simultaneamente.


                                            - Connector rx-

O Connector pode ser uma ferramenta muito útil. Com o uso do Connector, a criança pode aprender a prosseguir e parar quando o adulto prossegue  ou para numa caminhada juntos. O adulto também aprende a diminuir o passo e a mover-se em um ritmo que mantém a criança  ATRÁS ou AO LADO dele. Quando a criança se coloca à frente do adulto, ela sente que esta liderando, e o trabalho do adulto torna-se mantê-la segura enquanto ela faz o que quer. Essa relação pode ser exaustiva. A criança acaba por se frustrar mais quando lidera uma situação porque não consegue entender  a razão de não poder tomar TODAS as decisões, algumas que até a colocam em risco.

Quando a criança é guiada a ficar ligeiramente atrás ou ao lado do adulto enquanto com o Connector ela fica mais “at ease” (relaxado e flexível) em suas experiências. Isso proporciona que a criança seja corrigida menos vezes durante seu dia. Geralmente, as crianças ouvem “não”, “pare”, “volte aqui”, etc. Com o uso do Connector, os adultos não tem que segurar a criança para mantê-la segura, desta forma os adultos podem usar um toque mais positivo para guiar e dar suporte ao desenvolvimento da criança. Com menos correções, abre-se espaço para interações sociais mais positivas e uma variedade maior de vocabulário.

Com o uso do Connector nas atividades do dia-a-dia, os adutos conseguem mais facilmente guiar a criança em como planejar motoramente e seqüênciar seus movimentos, por exemplo, no supermercado, é possível ajudá-la a colocar os objetos no carrinho, participar das escolhas, trocar olhares e experiências, percepções sobre as embalagens, transformando esta rotina em uma oportunidade para alavancar experiências diárias ensinando linguagem, habilidades sociais e cognitivas à criança.

Grupo de Brincar em janeiro 2015
seguindo os princípios do
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AT EASE Learning Model®

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Para crianças e seus pais (de 4 a 6 anos)
Dias 22, 23 e 24 de janeiro de 2015 (lotado)
nova turma dias 18, 19 e 20 de janeiro de 2015
Das 2h as 5h da tarde
Valor: R$ 2.000,00 (R$ 650,00 na inscrição; R$ 700 até 20/12; R$ 650 até 20/01)
Vagas limitadas, grupo bem reduzido de participantes para garantir a qualidade.

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Outras informações e Inscrições: pam_spanholeto@hotmail.com



Leia também: Quebrando Barreiras