
Idas e vindas das nossas decisões, sempre, lógico, pensando no bem-estar.
O Pedro desenvolveu razoável até os 5 anos de idade, quando tivemos o aparecimento de uma irritação quase que constante, essa irritação gerou muitos episódios de agressão, mais contra o irmão. Depois de muitas tentativas, aos 6 anos resolvemos, com a ajuda de uma neurologista medicá-lo, ele passou então a tomar Respidon (do princípio da risperidona). E assim foram anos, com algumas fases melhores, até que há por volta de 10 meses atrás, encontramos o que eu classificaria da melhor fase do Pedro, em que as energias se renovavam a cada palavra, combinação de palavras, sorriso constante. Além da medicação, muita terapia, muita estimulação ainda acontece, mas este é um relato sobre as medicações.
Em julho resolvi tentar algo novo, algo mais moderno, afinal, temos que ter a mente aberta, certo?! Com a ajuda de um psiquiatra fizemos a troca da Risperidona pelo Abilify. Nas primeiras semanas o Pedro ficou muito mais tranquilo, sem um caminhar de lá prá cá e parecia mais tranquilo no geral. Isso era a retirada da Risperidona e não a entrada do Abilify que ainda não tinha começado a fazer efeito, essa medicação demora em torno de 20 dias para fazer efeito.
Estamos há 1 mês e meio com o Abilify e em estado de calamidade em casa, o Pedro ficou uma criança do apática para o triste, sendo que a alegria sempre foi sua maior característica. Sempre na dúvida se é impressão minha ou realidade, esta semana brincamos de guerra de almofada, na maioria das vezes o Pedro precisa de ajuda para atirar as almofadas, antes porque não se aguentava de tanto rir, mas nessa semana ele precisou de ajuda pela tremenda apatia. Esse foi o meu maior sinal de basta. Sim, eu tenho a mente aberta, mas não os olhos vendados.
Lendo relatos de outras famílias nos EUA, a tristeza e choro não é um efeito tão incomum nas crianças autistas usando o Abilify.
Este é um relato 100% pessoal, até hoje não ouvi ninguém dizer que não se adaptou ao Abilify, já ouvi e vi muitas crianças não se adaptarem ao Risperidona; mas, no caso do Pedro foi ao contrário. Ele precisa da medicação para segurar algumas reações fisiológicas de medo, sem a medicação, por motivo não aparente o coração dele dispara, as pupílas dilatam e ele perde o controle emocional.
Resolvi relatar simplesmente para alertar outras famílias que talvez tenham crianças que a reação de tristeza e apatia apareça, mas daí vai de cada família decidir o que fazer.