Tuesday, August 21, 2012

Estágios do Desenvolvimento Humano

Estágios do Desenvolvimento Normal Humano
(do nascimento aos 5 anos)

Esta tabela é uma visão geral do desenvolvimento da criança desde o nascimento até cinco anos de idade. É importante ter em mente que os prazos apresentados são médias e algumas crianças podem alcançar vários marcos de desenvolvimento mais cedo ou mais tarde do que a média, mas ainda dentro da faixa normal. Esta informação é apresentada para ajudar os pais a entender o que esperar de seu filho.



Estágios do Desenvolvimento Normal Humano
(do nascimento aos 5 anos)

Monday, August 13, 2012

Escola

                                       Plano Educacional Individual

Como algumas pessoas me perguntam quais os objetivos do Pedro na escola quando estavamos nos EUA e lá nós conseguimos que as pessoas entendessem que o desafio principal e central do autismo não são habilidades acadêmicas ou funcionais, aqui segue o exemplo do que foi o foco para o Pedro quando ele estava com 4 anos e 7 meses.

IEP 2007/2008
Cognitivo: Habilidades cognitivas não estão sendo tratados neste IEP por solicitação dos pais. Oferecemos aos pais uma reavaliação e foi recusada.

Comportamento Adaptativo:

Independência / habilidades adaptativas
Goal anual 1: Pedro vai executar uma tarefa na frente da classe.

Habilidades de uso do banheiro:
Goal anual: Pedro vai começar a antecipar e comunicar as necessidades fisiológicas.

Social, emocional e comportamental:
Goal anual: Pedro vai melhorar a capacidade de usar técnicas de informação sensorial que são oferecidas pelo professor para uma escolha independente do estímulo sensorial adequado para o momento com a finalidade de entender e interagir eficazmente com pessoas e objetos no ambiente escolar.

Social, emocional-social:
Goal anual 1: Pedro vai aumentar sua capacidade de interagir adequadamente com seus pares a partir do nível de 3 anos para o nível de 5 anos.

Obj. 1.1 Pedro vai responder apropriadamente ao comportamento social de seus colegas.
Obj. 1.2 Pedro vai responder apropriadamente ao comportamento social entre seus colegas.
Obj. 1.3 Pedro vai imitar o comportamento dos seus colegas durante atividades estruturadas e não estruturadas
Obj 1,6 Pedro irá iniciar comportamentos sociais com seus colegas.
Obj 1,7 Pedro irá revezar durante os jogos e atividades simples.
Obj 1,8 Pedro vai pedir um item preferido a um colega.

Meta Anual 2: Pedro vai aumentar sua capacidade de sustentar o engajamento em uma variedade de atividades lúdicas funcionais com um colega.

Obj. 1.1 Pedro vai brincar com uma atividade de sala de aula com um colega por 3 minutos.

O objetivo maior por trás desse palno era impedir o isolamento do Pedro, promovendo assima real inclusão, que no meu ponto de vista não é a adaptação de materiais, mas sim o engajamento na escola, ser parte do grupo. 
Também que fossem implementadas técnicas de integração sensorial incluindo a dieta sensorial que são tão benéficas ao Pedro.

Tuesday, August 7, 2012

Pedir desculpas

De um ponto de vista do desenvolvimento emocional/concreto, uma ação de "desculpas" deve acontecer.

Passo 1: pedir desculpas pelo que fez e como fez a pessoa que ele ofendeu se sentir: "Desculpe eu ter lhe chutado e isso fez você se sentir triste / bravo". 

Passo 2: perguntar à pessoa que ele ofendeu: "Como posso corrigir isso?" A pessoa que ele ofendeu ao ofensor uma tarefa a fazer para ajudá-los a se sentirem melhores. O ofensor realiza o "ato de bondade" para reparar seu relacionamento. 

Passo 3: Perdão: O ofensor é perdoado e a vida volta ao normal.

Escovar os dentes

Essa foi uma experiência que vai muito além de escovar os dentes, todo o processo deu suporte ao amadurecimento emocional.

A técnica práctica e muito simples, contar com o Pedro 10 escovadas em cada parte dos dentes. 10 vezes frontal, 10 vezes, cada lateral por fora, por dentro. Isso ajuda ao Pedro a saber que não ficará ali para sempre e a manter o foco de atenção na atividade e não "esquecer" do que esta fazendo.

Atravessando as barreiras emocionais:
Abaixo, trechos do relatório do trabalho terapeutico de imersão em março de 2011.

Pedro se beneficiou quando o "seguramos" no momento trabalhando seu protesto até que ele foi capaz de tentar algo novo. Por exemplo, Pedro não queria escovar os dentes. Ele protestava assim seu pai se apressava em finalizar a escovação.Desnecessário dizer que esta não é apenas um comportamento mal-adaptativo, mas também que esse tipo de interação é insalubre para o sistema de toda a família. Nós esperamos, estando no momento, até que o Pedro foi capaz de coordenar com nossas expectativas. Coordenar com as nossas expectativas é como Pedro pode reparar suas relações depois de causar tumulto emocional sobre algo como escovar os dentes.

Limites claros: ambos meninos precisam ter limites claros definidos assim eles podem ter mais segurança no comprimento das regras.  Ao não permitir que um acesso de raiva controle a atenção do adulto, ambos os meninos aprenderam que precisavam coordenar com os adultos (fisica e EMOCIONALMENTE). Quanto mais os meninos persistiram para que os adultos coordenassem com a suas angústias o mais desconectados nós adultos, nos tornamos. Quanto mais calmos os meninos ficaram, mais ajuda lhes foi oferecida. Isto não é sempre um limite fácil de estabelecer. Como pais, nós vemos que regular emocionalmente nossas crianças é uma prioridade.

Sunday, July 29, 2012

Relacionamento Intersubjetivo

É o laboratório primário para o desenvolvimento do processo mental complexo.
Inter = acontece entre pessoas
Subjetividade = sua avaliação única, pensamentos, percepções, sentimentos, memórias e sonhos.

Elementos do relacionamento intersubjetivo:

Administração da atenção;
Administração da distância física entre os pais e a criança;
Ritmo e resposta ao ritmo;
Qualidade da iniciação / convite
Aceitação da iniciação / convite
Resposta a carência de iniciação
Resposta a uma iniciativa de sucesso
Resposta a perda de coordenação uma vez estabelecida
Coordenação de tom emocional (feliz, triste, etc)
Coordenação de intensidade emocional (muito eufórico, pouco eufórico)
Fluência na interação

Quando o relacionamento intersubjetivo se quebra: os bebês de desenvolvimento típico quando falham tentam de novo repetidamente com o objetivo de masterizar o desafio. No autismo, constante falhas levam ao medo e desengajamento. Somente se a falha levar a persistência o bebê irá aprender a manter-se engajado até que uma solução adaptativa for alcançada.

                          Regular-se e co-regulação


Estabelecer a Co-regulação:
O adulto estabelece a co-regulação quando  estiver conectado numa atividade com a criança e quando nao estiver colocando limites irá fazer o re-convite.
O adulto não irá reagir à comunicação de controle. Não responderá a nenhum comportamento de controle. Não responderá ao seu controle pois a resposta leva a um conflito que deve ser evitado. (É bem difícil, mas funciona principalmente com crianças controladoras com muita fala, que utilizam a fala justamente para controlar).

As ações do adulto não irão controlar a próxima ação da criança (as minhas ações não irão mostrar a criança exatamente como agir). Modele, mas não espere a cópia exata.
As ações do adulto não irão dizer a criança exatamente como ela deve agir. Não devem existir scripts para cada minuto da interação.
Nós iremos focar na interação das nossas ações.
Nós iremos ver que parte das nossas ações são em resposta a ação do outro e que parte não é.
Nós iremos ver como, naturalmente, nossas ações montam padrões e regularidade.
Nós iremos reconhecer que estes padrões e regularidades são nossas criações conjuntas.

O ciclo de regulação ensina a criança a perceber que há predicabilidade através dos padrões de repetição aliados a pequenas mas constantes variações do padrão.
O ciclo contém um notável começo e fim.
Contém flutuações regulares ou apenas diferenças notáveis.


        Regulação - des-regulação - regulação

Estabeleça inicialmente movimento regulatório com apenas pequenas variações. Por exemplo, se você for estabelecer o movimento de passar a bola um para o outro você pode passar uma vez com a mão direita, outra com a mão esquerda, uma vez por cima, outra vez por baixo, pingando no chão, ou direto. A pessoa autista não é "obrigada" a imitar a maneira como você passou a bola, o objetivo é ensiná-la que mesmo com variações o resultado pode ser o mesmo.

Introduza des-regulação cognitiva ou barreiras ao parceiro. O objetivo é que uma vez engajada, a criança persista na relação e use o pensamento dinâmico para encontrar soluções alternativas. Por exemplo, você pode trocar a bola por outro objeto, você pode retirar o objeto bola ou qualquer outro e só fazer os movimentos com uma bola imaginária.

Volte ao movimento inicial quando o desafio for superado para dar segurança a criança.

Foque no que você quer que a criança aprenda e não ao que você quer que a criança faça.

As variações não vão interromper o padrão e devem ser incluídas desde o comeco, para não correr o risco de transformar a relação em um movimento estático ao invés de dinâmico.

Um desafio cognitivo (que é fazer a criança pensar para resolver o desafio) irá interromper o padrão estabelecido e não irá ser adicionado até que você e a criança estejam coordenadas.
Repetindo: A variação deve estar presente desde o início dos exercícios, MAS o desfio só deve ser introduzido quando você e a criança já estiverem coordenados (e isso pode levar dias).

“ Temos que usar a experiência naquilo que ela garante, mas também libertar-nos dela, naquilo que ela prende." Álvaro Siza

Estabelecer rotinas é saudável, ser dependente delas é insâno. Pessoas com autismo são acima de tudo pessoas, a rotina é boa porque traz previsibilidade, mas não deve ser o centro da vida de ninguém, o sabor da vida está nas incertezas do que virá, não podemos eliminar esse prazer da vida das pessoas com autismo. O sentimento de segurança e conforto deve vir dar relações que temos com as pessoas e não de rituais e rotinas imutáveis.

                          Maximize as experiências de vida da criança.

Esteja disponível para a experiência de aprendizado da criança. (Aqui eles pedem para revermos nossa rotina, às vezes é tão corrida entre uma terapia e outra que a criança não tem tempo de aprender com a própria vida, aqui em casa eu sempre corria para que os meninos estivessem prontos às 8:30 para a primeira terapia do dia, e no final, acabava esquecendo que para o desenvolvimento deles é importante que eles pratiquem solucionar os problemas do dia a dia, agora nossa rotina mudou, eles "ajudam" a preparar o café da manhã, depois escolhem a roupa que vão vestir e eu não corrijo, apesar da combinação esdrúxula ou uma meia do avesso, tiram o pijama, vestem a roupa, escovam os dentes, essa parte eu dou uma ajudinha para ter certeza, lavam o rosto, secam e deixam tudo no lugar, eu espero o tempo deles, redireciono a atenção quando perdem o foco, espero e trabalho a resistência, geralmente estamos prontos só às 9h, mas com uma lição cumprida).

Leia também: Quebrando Barreiras