Saturday, April 21, 2012

Dica para inclusão ...... por Ana Muniz


Eu não sei sobre o futuro do meu filho autista. Ou seja, eu não tenho a menor idéia de como será a adolescência dele, e logo não posso escrever nada a respeito.

Só sei que não vai ser fácil. Sei que vai ser muito difícil. E estamos tentando prepará-lo para o que der e vier.
No entanto, eu posso escrever muito sobre minha adolescência como uma deficiente auditiva.
Não foi fácil. Não foi difícil. Enfim...foi um caminho diferente com altos e baixos. 
Acho q se eu fosse "gordinha" na minha adolescência, eu teria sofrido os mesmos preconceitos.
Tive algumas amigas e amigos. Não muitos...não poucos...alguns.
Chorei por amores perdidos, e sim também parti o coração de alguns.
Um especial, ele me deixava totalmente desesperada porque eu não ouvia nada do q ele falava. E se tornou um grande amigo.
Enfim, me considero de sorte! Sinceramente, acho que tive uma adolescência "normal" mesmo sem ouvir direito. Mesmo sendo surda.
E mesmo com um pai japonês me proibindo de "quase tudo".
Encontrei professores fantásticos, e outros totalmente imbecis.
Mas minha maior decepção por parte dos professores, não foi a escola publica por onde vivi a maior parte da minha vida.
Mas um professor da USP. Acho que na minha cabeça os professores da USP estavam no TOPO da categoria humana. 
Aprendi que diploma e conhecimento catedrático não medem "carácter, dignidade e coração".
Pessoas imbecis existem em todos os lugares.
Se eu pudesse dar um conselho para os pais, sim...vale a pena investir na inclusão por mais difícil que seja.
Não escolha o caminho mais fácil por querer poupar seu filho das dificuldades que a vida trás pelo fato dele ser "diferente".
E ache um "esporte" que seu filho goste. Pois é justamente isto que vai abrir as portas, ou melhor, vai servir de ponte para o outro lado. 
O lado das pessoas que se julgam "normais". No esporte, ele vai poder ser quem ele realmente é.
No esporte, a atenção das pessoas esta para a bola de volei, para sua agilidade na piscina, e não para o seu jeito estranho de se vestir, ser ou pensar.
Faça algumas festinhas na sua própria casa, e não espere ser "convidado".
Isto vai começar a quebrar a barreira entre as pessoas que convivem com você.
Se seu filho não gostar de nenhum esporte, talvez ele goste de musica.
Enfim...divirta-se com isto, dance do jeito que o coração mandar, e convide outras pessoas para ouvir um novo CD e curtir uns comes e bebes.
E se ele não gostar nem de musica, talvez ele goste de jogos, desenho ou pintura. Procure nos clubes (ou no SESC) jogadores de dama, xadrez, baralho, trufo, jogo da velha, cursos de pintura ou desenho .....
Enfim, qualquer coisa serve como pretexto para unir as pessoas.
De qualquer forma lembre-se, seu filho "diferente" precisa viver neste mundo "estranho".
Com certeza algo vai dar certo, e com certeza muitas outras coisas não vão dar tão certo, mas viver é ariscar sempre.
E pra mudar o preconceito, precisamos sempre tentar coisas "diferentes".

Forte abraço,
AnaM uma mãe louca pelo filho.

Friday, April 20, 2012

PROGRAMA "ACESSO ESPECIAL" - Rádio Cultura FM - Amparo

Boa tarde amigos

Abaixo, as próximas entrevistas que serão apresentadas no Programa “Acesso Especial", bem como os temas que serão abordados. Não percam!

25 de abril – Marie Dorión Schenk - Relações Públicas e palestrante
Mãe de dois meninos no espectro autista, morou 5 anos nos EUA onde fez vários cursos de especialização na área comportamental, sensorial e desenvolvimento relacional. Hoje, Marie reside em Jundiaí, ministra palestras e organiza grupos de apoio aos pais. É autora do blog www.umavozparaoautismo.blogspot.com.

02 de maio – Cássia Pegoretti - Nutricionista
A partir desta data, o programa “Acesso Especial" contará com o apoio cultural de Perfix Consultoria. A primeira ação derivada desta parceria, se dará com a inserção semanal do “Minuto da Nutrição”.

Destaque para a entrevista realizada por tel., no dia 18 de abril, com Thais Ferrara, Diretora Artística da ONG Doutores da Alegria / SP.

Em breve, esta e as demais citadas acima estarão disponíveis no Blog da rádio Cultura, para ouvir e/ou fazer download.

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PROGRAMA "ACESSO ESPECIAL"
NÃO EXISTE INCLUSÃO SEM INFORMAÇÃO!

TODAS AS QUARTAS-FEIRAS, AS 11H30, PELA RÁDIO CULTURA FM DE AMPARO - 102,9 Mhz.

Ouça a programação da rádio Cultura ao vivo pela internet: http://radiocultura.amparo.sp.gov.br/online/


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Sergio Nardini
LOGO PALESTRA 4
(19) 3807-8722
(19) 9617-5174
Skype: sergiofnardini

Thursday, April 12, 2012

Besteiras que se propagam sobre autismo

Infelizmente, muita desinformação é propagada em relação ao autismo, suas causas e tratamentos como pode-se ler no post da Folha:

Muitos familiares foram contra o post e rebatidos com um certo desrrespeito: A autora cita a consequencia como causa! Algumas crianças com autismo se fixam na tv justamente pela inabildade social, e não ficam inábeis pq assistem tv! Quando pararem de usar os sintomas como "regras" para ser autista e de fato colocar todos os enforços no q causa esses sintomas, teremos tratamento mais digno às nossas crianças."


Muitos comentários entraram no blog, porém eu gostaria de destacar aqui o comentário da
Cyntia Mesquita Beltrão, psicóloga clínica e mãe e do jornalista e pai Paiva Júnior:

Eu era psicanalista até ter um filho autista. Foi aí que eu conheci a face anacrônica, retrógrada, proselitista e principalmente mercantilista da Psicanálise.

É uma pena, porque eu duvido que meu querido Sigmund concordasse com o que virou seu construto teórico. Lá no Projeto para uma Psicologia Científica, nos Três Ensaios e em Análise Terminável e Interminável ele já dizia que esperava que muito de sua proposta fosse rechaçada pelo progresso científico. Novas descobertas no campo na neurologia provavelmente iriam de encontro ao que ele postulava e para ele isso era natural. Ora, Freud era neurologista de formação! Ele dizia que a teoria era similar a um andaime que deveria ser retirado quando a construção já tivesse bases mais sólidas. Infelizmente os psicanalistas pararam com o progresso, arvoraram-se na teoria já pronta (Lacan, que o diga, com seu retorno a Freud) e hoje vivem uma ridícula situação de estudar os andaimes como se fossem obras primas de arquitetura!

A lógica que rege a produção intelectual atual da Psicanálise é circular. Psicanalistas escrevem e falam para psicanalistas, formam e analisam novos psicanalistas e depois basicamente vivem de orientar e analisar esses asseclas que os defenderão com unhas e dentes porque simplesmente não conhecem qualquer outra forma de produção de saber. Sob a supervisão dos seus ídolos continuarão a repetir que a Psicanálise "não é testável" e portanto não tem que prestar contas de seus resultados, mesmo sendo a orientação teórica mais utilizada dentro dos serviços públicos de saúde no Brasil. Também se recusarão a estudar e conhecer outras práticas e teorias com a desculpa de que estas são reducionistas, biologicistas e mecanicistas. E essa lenga lenga será reproduzida sem questionamento em jornadas, seminários e periódicos psicanalíticos por todo o Brasil, Argentina e França, que são basicamente os países que ainda dão algum subsídio para a Psicanálise.

Mas na França a batata da Psicanálise já começou a assar. Depois da censura contra o documentário O Muro (censura criticada pelos próprios Repórteres sem Fronteiras)



que denunciou o tratamento deficitário dado aos autistas franceses por instituições e profissionais de orientação psicanalítica, temos agora a resolução do HAS (que seria traduzido como Autoridade Máxima em Saúde francesa) que recomenda técnicas comportamentais e educacionais para o tratamento do autismo, em detrimento da Psicanálise:




Os vários grupos de pais e amigos dos autistas comemoram, já que na França a taxa de inclusão de autistas na escola é de apenas 20% contra 60% na Suécia e outros países. Pais de autistas saem da França para buscar tratamento na Bélgica, por considerarem deficitário o sistema francês:



No Brasil ainda temos uma influência enorme da Psicanálise nos serviços de saúde públicos e nos consultórios particulares, com consequências desastrosas para os nossos autistas. Psicanalistas dizem que trabalham visando a estimulação precoce mas a sua proposta de "deixar falar o sujeito do inconsciente" atrasa as intervenções em meses ou anos por vezes. Seu modelo de intervenção é baseado na interpretação do que esse "sujeito do inconsciente" tenta exprimir, ao seu próprio tempo e do seu próprio jeito. Seria uma bela proposta se não se traduzisse em atraso, desestímulo e finalmente em indivíduos pouco funcionais, dependentes e com problemas de comunicação. O pouco que se caminha com esses autistas se deve mais à equipe multidisciplinar (fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos) que felizmente ocupa o vácuo deixado pelo trabalho psicanalítico.

Em Belo Horizonte essa dominância da Psicanálise ainda teve o efeito colateral de atrasar a aprovação de uma lei que beneficiaria o autista com o estatuto de deficiente, facilitando o acesso à inclusão social através de passe livre nos ônibus, tratamento diferenciado em postos de saúde e hospitais, além de prever a criação de centros de tratamento ambulatoriais específicos para os autistas, que hoje em dia perambulam pelos CERSAMs e Centros Psiquiátricos infantis que são totalmente despreparados para recebê-los. Foi a Psicanálise que orientou o veto do prefeito. Felizmente o trabalho de pais e profissionais incansáveis e que sabem o que é um autista grave no cotidiano de uma família conseguiram derrubar o veto. Trabalhamos agora pra ver a lei totalmente implementada.

Eu realmente tentei ficar longe dessa discussão mas não pude me abster depois de ver as respostas evasivas e por vezes agressivas das representantes da Psicanálise diante das críticas das mães que se posicionaram aqui. Essas mães são leitoras vorazes e disciplinadas, mas são leigas. Achei deselegante mandá-las "ler Lacan" para poder criticar a Psicanálise. Ora, elas não precisam ler Lacan, ou Melanie Klein ou qualquer outro para saber quando seus filhos não estão sendo devidamente assistidos por um terapeuta. E agora, com o acesso ilimitado à informação promovido pela internet, vai ser difícil impedir a troca de experiências entre essas pessoas.

Essas mães se colocaram na defensiva? Atacaram porque "a defesa é o melhor ataque"? Ora, não será porque foram atacadas em primeiro lugar? E não me venham dizer que "nós não culpamos as mães". Falar que o autismo tem causas multifatoriais e que uma delas é "psicossocial" é eufemismo para mãe geladeira e essas mães aqui sabem ler nas entrelinhas. Afinal, ao contrário do que diz a psicanalista que aparece no documentário censurado (creio que foi a Esthela Solano-Suarez) nós não somos mães-crocodilo. No Brasil somos mães-onça mesmo e não somos tolas. E de geladeira só se for Brastemp.



--
Cyntia Mesquita Beltrão
Psicóloga Clínica

"Luciana, parabéns pelas informações importantes que você postou nos outros textos e também no pequeno podcast a respeito de autismo. Não são informações com nenhuma novidade, mas é sempre bom propagar algo correto sobre autismo.

Para este texto, porém, tenho críticas e sugestões. Informações como essas que você publicou, da Thereza França, (portanto deve concordar com ela) podem confundir muitas pessoas e sugiro que esclareça melhor a ideia, pois já temos escassez de informação a respeito de autismo — e, se o que tivermos for confuso, pode muitas vezes ser pior que calar-se.

Dizer que “o recolhimento autístico pode ser entendido como uma proteção extrema que a criança lança mão diante de angústias insuportáveis para seu psiquismo ainda precário”, citando “variáveis ambientais” como “exposição excessiva a TV e/ou computador em detrimento do contato humano afetivo” é, no mínimo, passível de melhor análise e atualização.

Muitas pesquisas pelo mundo vêm descobrindo possíveis causas genéticas (estou falando de epigenética, não aquela simples, da hereditariedade que aprendemos nos ensinos fundamental e médio), a mais contundente sendo a do neurocientista brasileiro Alysson Muotri, na Universidade de San Diego, na Califórnia (EUA), publicada na capa da renomada revista “Cell”, em que conseguiu “curar” um neurônio “autista” em laboratório (se tiver curiosidade pelo assunto, leia minha entrevista exclusiva com Muotri emhttp://RevistaAutismo.com.br/muotri2010). Porém, o mais importante no meu argumento é o que o neurocientista percebeu de diferente morfologicamente entre os neurônios de autistas e o de pessoas com desenvolvimento típico (normais): seus núcleos eram menores, havia menos ramificações e faziam menos sinapses. Se essa informação da Thereza França, que faz referência à Psicanálise, estivesse correta, teríamos que admitir que essas variáveis ambientais, como exposição excessiva à TV causaria uma mudança morfológica nos neurônios. “Acredito que a mídia (principalmente a TV) tenha grande influência em nossa mente, mas não o bastante para tal.” Agora sem trocadilhos, não faz sentido para mim sua informação. Pois esta pesquisa que citei prova, contundentemente, o contrário. Não é possível nem sugerir ou dar entender uma relação causalidade para tal.
É impossível, a quem sabe um pouco acerca de autismo, não fazer uma correlação entre a informação que você publicou aqui e o exaustivamente condenado conceito de “mãe geladeira”, de décadas atrás. A pesquisa de Muotri só jogou uma pá de cal nessa teoria (veja o próprio neurocientista dizendo isso no Jornal Nacional, em http://www.youtube.com/watch?v=EwMub68EUDk). E desse ponto de vista, seu texto pode tornar-se um desserviço a muitas pessoas, por isso sugiro uma reflexão maior e mais atenta a respeito do assunto, se possível, até mesmo um novo post. Sugiro mais, vá conviver um tempo com alguém que tenha autismo, com famílias afetadas pela síndrome, conheça suas histórias, e depois volte a fazer um texto. Tenho certeza que você, com a inteligência que demonstra ter, repensará seus conceitos e escreverá algo, a respeito de autismo, avesso às teorias de Lacan e companhia."

Paiva Junior

Monday, April 2, 2012

Mas, o que é autismo?


Algumas vezes temos que explicar de forma simples o que é autismo, aqui vai uma idéia de como fazê-lo:

Autismo faz com que essas pessoas sintam o mundo de forma diferente da maioria das outras pessoas. É difícil para as pessoas com autismo falar com outras pessoas e se expressar com palavras. Pessoas com autismo geralmente guardam seus sentimentos para si mesmos e muitos não podem se comunicar plenamente sem ajuda especial.

Eles também podem reagir ao que está acontecendo ao seu redor de forma inusitada. Ruídos normais podem realmente incomodar alguém com autismo -tanto que, muitas vezes, a pessoa cobre seus ouvidos.

Pessoas com autismo, frequentemente, não conseguem fazer amizade tão facilmente como as outras pessoas. Mas elas precisam de amigos tanto quanto você.

O autismo faz com que as pessoas se comportem de modo incomum. Eles podem balançar as mãos, repetir algumas palavras várias vezes, terem crises de birra, ou brincar apenas com um determinado brinquedo. A maioria das pessoas autistas não gosta de mudanças nas rotinas. Eles gostam de fazer as coisas sempre da mesma maneira. Eles também podem insistir que os seus brinquedos ou outros objetos sejam arrumados de uma determinada maneira e ficar chateados se são mudados de lugar.

Se alguém tem autismo, o cérebro desta pessoa tem um problema numa função importante que é dar sentido ao mundo. Todos os dias, seu cérebro interpreta as imagens, sons, cheiros e outras sensações que você experimenta. Se seu cérebro não conseguisse ajudá-lo a compreender essas coisas, você teria dificuldade para falar, ir à escola, e fazer outras coisas cotidianas.

Algumas pessoas autistas são pouco afetadas pelo autismo, e isso faz com que elas só tenham um pouco de dificuldade na vida, outras podem ser muito afetadas, de modo que elas precisam de muita ajuda no dia-a-dia.

Fonte (em inglês): http://kidshealth.org/kid/health_problems/brain/autism.html

Folheto em formato para impressão: clique aqui

Light It Up Blue

Friday, March 30, 2012

Lançamento do livro do jornalista e pai, Paiva Jr.





Lançamento do livro do jornalista e pai, Paiva Jr.

Dia
30/março, sexta à noite, 19h45, em Atibaia. No Auditório do Hospital Novo Atibaia, R. Vereador Luiz Alberto Vieira dos Santos, s/n*

Também será a comemoração do Dia Mundial do Autismo em Atibaia e o lançamento da nova edição da Revista Autismo.