Monday, October 17, 2011

Tato


O sistema tátil refere-se aos receptores na pele que enviam estímulos para o sistema nervoso central. A estimulação dos receptores registra o toque leve, o de pressão, assim como frio, calor e dor (King, 2002a). O sistema tátil é o primeiro sistema sensorial a desenvolver e é necessário para o desenvolvimento e sobrevivência (Yack et al., 2002).

Crianças no espectro autista exibem, frequentemente, uma sensibilidade excessiva ao toque (Field, 2001). Esta sensibilidade é o sintoma mais comum de um sistema tátil ainda imaturo , e é referido como hipersensibilidade tátil. Alguns exemplos são o bebê ou criança que chora ao ser pego no colo, os que evitam ou se perturbam quando lavam, escovam os cabelos, aversão à escovar os dentes. Problemas de alimentação e de fala também pode resultar da sensibilidade e em torno da boca.

Devido à sensibilidade excessiva ao toque, a criança está constantemente em alerta, o que torna difícil para ela interpretar qualquer outro estímulo que venha do ambiente, mesmo que processado por outro sistema sensorial. Ou seja, a criança tem dificuldade em prestar atenção a qualquer outra coisa até que ela saiba o que toca ou possa tocá-lo (Hoekman, 2005). Isto leva a defensiva tactil, o que faz com que a criança reaja negativamente ou emocionalmente ao toque de outra pessoa (Ayres, 1979). A criança pode chorar, esfreguar a área tocada, ou reagir agressivamente. Uma pressão firme e até mesmo toque prolongado pode ajudar a reduzir hiper-reação ou reação exagerada ao toque.

As crianças também podem ser sub-reativas ao toque, referido como hiposensibilidade tátil, o que provoca uma intensa necessidade de tocar em tudo ou uma falta de vontade de tocar em qualquer coisa que não for familiar (Hoekman, 2005). Eles podem precisar de estímulos mais intensos, a fim de registrar o toque. Estas crianças não recebem informações sobre onde eles estão sendo tocados, o que inibe a consciência corporal e interfere com o planejamento motor. Hipossensibilidade ao toque também pode impedir movimentos orais durante a alimentação e a
produção da fala (Yack et al., 2002).

As crianças também podem variar entre hipersensibilidade e hiposensibilidade conforme a área do corpo. A criança pode ter reações exarcebadas ao toque no corpo mas buscar mais estímulos tácteis na região da boca; ou o contrário, ser hiposensível no corpo e extremamente sensível na região da boca.

Além disso, ao longo do dia, o sistema tátil pode mudar devido a diferentes experiências sensoriais que a criança precisou processar naquele dia.É importante compreender este processo ao interagir com uma criança que se teve uma reação dramáticaao que parece não haver uma razão desconhecida.

Saturday, October 15, 2011

Audição


"O ouvido é um órgão sensorial muito mais complexo do que os outros órgãos sensoriais" (Moller, 2006, p.1). nosso sistema auditivo inclui nossos ouvidos e sua complexa via auditiva central, terminando no córtex dos lobos temporais do cérebro. As principais partes deste sistema são o ouvido externo, médio e interno e o sistema nervoso central (Yost, 2002). O sistema auditivo recebe, codifica, transmite e decodifica sinais sonoros que nos permitem processar instruções e informações (Lawrence, 1971). É aqui que o som é analisado, principalmente para a freqüência de filtragem (Yost, 2002). Como parte deste processo, a informação desnecessária é descartada (Lawrence, 1971).

Crianças no espectro autista podem ouvir todos os sons no mesmo nível e ficarem sobrecarregadas e confusas por todas as informações auditivas, o que torna difícil para elas atender e acompanhar o que alguém está dizendo a eles. Ou seja, elas são incapazes ou tem grande dificuldade em filtrar informações inúteis e prestar atenção ao que é mais importante em uma determinada situação, como no que está sendo falado versus ruidos do ambiente (Hoekman, 2005). Elas podem ser hipersensíveis a certos sons, fazendo com tampem os ouvidos ou façam ruídos para bloquear o som. Quando isso acontece, elas estão, obviamente, impedidas de prestar atenção a qualquer estímulo auditivo. Algumas crianças podem até parecer estarem concentrandas em algo à distância, ou "desligadas" com o objetivo de ajudar o cérebro a processar ou bloquear os estímulos recebidos.

Algumas crianças são hiposensíveis aos estímulos auditivos, fazendo com que não respondam aos estímulos que os outros normalmente responderiam. Estas crianças podem não reagir ao que lhes é falado até que a pessoa que fala com elas repita a mensagem três, cinco ou mais vezes. Nestes casos, gestos e linguagem dos sinais, assim como figuras podem ser adicionados na comunicação para facilitar o entendimento a fim de obter uma resposta. Por exemplo, o adulto pode apontar para a cadeira ou produzir o sinal para "sentar" acompanhando o comando verbal, assim facilitando o entendimento da criança.

É importante estar atento a velocidade que esperamos que a crianca responda, muitas das crianças tem um tempo de processamento da informação mais lento, isso quer dizer, que entre receber o estímulo auditório, codificar, trasmitir, dar o significado, enviar a resposta para os músculos, estes se moverem em direção da ação, pode levar um tempo maior do que estamos acostumados. Por isso, é importante não bombardear a criança com a repetição do comando, e respeitar o tempo de resposta necessário para que ela se organize e tome uma ação.

É importante entender que a mesma criança pode apresentar esses dois tipos de comportamentos para informações auditivas diferentes no mesmo dia ou ser capaz de receber uma certa quantidade de informações auditivas sem dificuldade num dia, mas não no próximo. Isso é muitas vezes confuso para pais, professores e outros profissionais. A diferença de comportamento é causado pela quantidade de informações sensoriais que a criança teve ao longo do dia, isto é, estímulos sensoriais tem efeito cumulativo.

Comportamentos sensoriais


Os seres humanos precisam de grandes quantidades de estimulação sensorial, a fim de organizar estímulos simples em informações complexas ou percepções. A maior parte destes estímulos vem do sistema vestibular, proprioceptivo e tátil, e numa medida menor, do sistema auditório. Não é de estranhar, portanto, que muitos dos comportamentos exibidos por crianças no espectro autista, como girar, balançar o corpo, mover-se em busca de ritmo e pular estão relacionados a esses sistemas, que são as principais fontes de entrada. Isso, porque, estes comportamentos são a tentativa da criança para se sentir mais organizada e calma (King, 1991).

Thursday, September 22, 2011

“TANGO PARA OS LOBOS – Cantos proibidos de uma Aspie”


O LIVRO:
TANGO PARA OS LOBOS – Cantos proibidos de uma Aspie” sai em setembro pela Editora Russell, porém não vai estar nas livrarias.
Quem vai administrar a distribuição do livro é a própria autora e os interessados podem escrever para villa.aspie@gmail.com.
A autora, Ana Parreira, é psicóloga e descobriu, já na idade adulta, estar na condição de Asperger. Ana foi diagnosticada por médico, mas somente após ela mesma se certificar dessa condição por meio de testes, muito estudo e de contato com cientistas, pais de autismo e outros Aspies adultos, a maioria no exterior.

Essa revelação, que lhe possilitou reconstruir a forma de estar no mundo, mudou toda sua vida e melhorou bastante suas próprias condições, habilidades e suas dificuldades pessoais. Ana pertence a uma geração negligenciada pelo mundo autista, pela própria característica do autismo no Brasil, ainda muito pouco conhecido e cujo aproveitamento, por mínimo que seja, tem sido privilegiado a crianças, e não exatamente às gerações mais velhas.

O livro conta uma história de amor de uma Aspie, é um livro com base em situação real, embora alguns nomes sejam trocados.

A forma de contar a história vem em prosa e em versos, onde Marília conversa com Thomaz.
Este é um corajoso depoimento de uma mulher madura, que põe a descoberto a sua própria vida – bem como seu relacionamento com o amor – de maneira a que o leitor possa chegar à conclusão sobre o mito de que os Aspies (ou Aspergers) “não têm empatia e não são capazes de amar”.

O livro traz uma carta de Drummond para Ana, escrita tempos atrás, que fala sobre “publicar um livro somente quando achar que está no ponto.” Traz também, na 4a. capa, a análise do cientista Alysson Muotri, que fez a leitura do livro de Ana com muito cuidado.

TANGO PARA OS LOBOS – Cantos proibidos de uma Aspie” não fala tecnicamente sobre os Aspergers, mas mostra muito sobre eles, principalmente sobre mulheres Aspies e suas possibilidades, dúvidas, limites e superações.

A autora percorre instituições, escolas, empresas e grupos formados levando o seu recado e sua experiência como Aspie e como psicóloga estudiosa do assunto, por meio de cursos e palestras. O telefone para contato é 19 – 9185.0015 ou 19 – 2511.2443 (fixo GVT), em Campinas SP. Em algumas instituições dedicadas ao autismo onde o livro é levado, a autora destina parte da renda para esta causa.

Friday, September 16, 2011

Exercícios para melhorar a postura

Abaixo são alguns exemplos de como trabalhar o equilíbrio e preparar a criança a trabalhar a musculatura do abdomem para manter uma boa postura. A boa postura é necessária para que haja a integração sensorial. Leia mais clicando aqui!



Fazer o uso de humor para executar os exercícios é primordial! A mãe trabalha o sistema vestibular do filho movimentando ele de frente para trás, faz uns movimentos ainda tímidos de lado a lado que com o tempo serão mais incrementados. Como a criança tem ainda muita dificuldade de se manter sentado na bola porque isso requer manter o equilíbrio ativando o sistema vestibular e os músculos do abdomes. Jogar brincadeiras no exercício tornam-o mais agradável para mãe e filho, como assoprar a barriga e fazer caretas.
Quando a mãe não conseguiu o contato visual com o filho, ela faz uma brincadeira para que ele olhe, esse é exatamente o ponto! Fazer a criança olhar para algo interessante, divertido no começo do conhecer para que serve o olhar. Perfeita e produtiva a brincadeira!



Muito legal a idéia de sentarem juntos na bola em frente ao espelho ou frente a frente; assim pode existir o contato visual e dá o apoio necessário que a criança precisa para ficar sentada na bola, o ideal é ir, aos pouquinhos, retirando esse apoio.
Usar o movimento como reforçador do contato visual é perfeito, o poder dos olhos, "eu olho para a mamãe e a bola pula"!

Sobre a importância do contato visual, clique aqui!

Monday, September 5, 2011

Indução de acerto

Indução de acerto (no inglês:Prompt)
Este é um texto explicativo, entregue (e ignorado) a escola do Pedro. O princípio é de base na Análise do Comportamento, este mesmo princípio é incorporado pelo RDI - Relationship Developmental Intervention; mas não pelos Froidianos brasileiros, infelizmente o entendimento de desenvolvimento atípico ainda tem muito o que caminhar na minha cidade, o pior que não ter informação, é ter desinformação!

Para manter o Pedro engajado na rotina escolar e suas tarefas é impressindível que ele sinta sucesso na execução dessas tarefas e rotinas.

A indução de acerto ou prompt é uma sugestão ou ajuda para estimular a resposta desejada de um indivíduo.

Prompts são frequentemente classificados em uma hierarquia de comando das mais intrusivas a menos intrusiva.



Tipos de indução de acerto



Prompt Verbal: Utilizando uma vocalização para indicar a resposta desejada. (Não confundir prompt com comando – se a professor diz “Venham todos para a fila” é um comando, se a auxiliar diz “Pedro, você tem que fazer fila” é prompt). Este pode ser considerado o mais invasivo pois é o mais difícil de ser retirado. É importante ressaltar que não queremos criar dependência do prompt (seja ele verbal ou qualquer outro) pois isso não incentiva a independência, pelo contrário, gera a dependência de dizerem o que a pessoa deve fazer.

Prompt Físico: Fisicamente manipular o indivíduo a produzir a resposta desejada. Há muitos graus de prompt físico. O mais intrusivo é o mão-sobre-mão, e menos intrusivo é um leve toque para iniciar o movimento de execução da tarefa. Neste caso, utilizamos o copro da pessoa para esinar a resposta (comportamento) que desejamos. Utilizar o corpo e movimento como meio de aprendizado é útil para qualquer pessoa, e sobretudo para pessoas com dificuldade de processamento sensorial, apraxia, tônus muscular, planejamento motor, etc.

Prompt de Modelagem: Modele a resposta desejada para o aluno. Este tipo de linha é mais adequada para os indivíduos que aprendem através da imitação e podem assistir a um modelo.


Prompt Visual: Um sinal visual ou imagem.

Prompt Gestual: Utilizando um gesto físico para indicar a resposta desejada. O mais intrusivo nesta categoria seria um gesto completo, o menos intrusivo uma expressão facial.


Prompt Posicional: Organizar os materiais de forma a facilitar o acerto.




Pede-se a extinção do prompt o mais rápido possível, de forma sistemática e assim evitar a dependência de prompt. A meta do ensino usando prompt é estabelecer a independência na execução das tarefas.

Independência

Como a independência é um dos objetivos da educação do Pedro é de extrema importância que os commandos gerais sejam passados pela professor de classe, isto, além de treiná-lo a ser independente, ajudará a desenvolver o conceito de fazer parte do grupo.

O trabalho da professor de apoio é redirecionar a atençao do Pedro ao que está sendo ensinado ou proposto para a sala e auxilia-lo a executar as tarefas utilizando a hierarquia de prompt extinguindo a sua ajuda o mais breve possível.

Quanto menos a professora de apoio tiver que intervir, melhor estará sendo executado o trabalho de apoio ao desenvolvimento do Pedro.

O vídeo abaixo é um exemplo de diferentes tipos de prompt como apoio para o aprendizado da fala, neste caso, o Luís não tem dificuldade de pronunciar palavras, apesar do autismo, ele sempre foi um "papagaio", ele tinha era dificuldade de dar o significado às palavras e à comunicação (semântica pragmática); o foco era o ensino da língua portuguesa, começando pelas cores.