Friday, March 11, 2011

Diversidade, semelhaças e diferenças.

Recomendado para crianças de pré-escola ao 5º ano.


Os objetivos destas atividades são explorar as semelhanças e diferenças das crianças e o que significa ser exclusivo.

Materiais:
Folha de informação pessoal
Livros sobre diferenças. Existem livros infantis que o tema central são as diferenças entre os personagens como:


Elmer o elefante xadrez de David Mckee. http://brincandocomcores.blogspot.com/2010/04/elmer-o-elefante-xadrez.html


Tudo bem ser diferente de Todd Parr. http://www.youtube.com/watch?v=DgrFIgvF7KU


Sugestões da Márcia Madalozzo (mãe de uma linda menina no espectro):




A felicidade das borboletas de Patrícia Engel Secco. http://blogdaturma501.blogspot.com/2009/05/felicidade-das-borboletas.html




Orelha de limão de Katja Reider e Angel Von Roehl. http://paixaoemensinarprofe.blogspot.com/2010/02/orelha-de-limao.html







Rodas, pra que te quero de Angela Carneiro e Marcela Calamo http://deficientealerta.blogspot.com/2009/03/rodas-pra-que-te-quero.html

entre outros.

Você pode conversar com as crianças sobre as formas em que todos nós somos únicos como altura e peso; cor do cabelo e dos olhos; atividades que gostamos; como aprendemos; nossas vozes .

Atividade 1: Folha de informação pessoal

Peça aos alunos para completarem a ficha de informações pessoais.
Você pode colocar os alunos em pequenos grupos para esta atividade. Depois que os alunos completem a folha,converse sobre os resultados, na aula de matemática vocês podem fazer tabelas e usar a atividade como um meio para explorar semelhanças, diferenças e singularidade.







Ficha de Dados Pessoais




Circule as frases que são verdadeiras para você. Você pode adicionar mais frases nos espaços em branco.

1. Eu gosto de assistir filmes.
2. Eu tenho um irmão.
3. Eu tenho uma irmã.
4. Gosto de comer espaguete.
5. Eu tenho um animal de estimação.
6. Tenho o cabelo castanho.
7. Eu gosto de jogar no computador.
8. Eu venho a pé para a escola.
9. Eu já fui à praia.
10. Eu sei subir em árvores.
11. ___________________________________
12. ___________________________________






Atividade 2: Livros sobre diferenças

Use os livros infantis que tenham temas as diferenças e semelhanças para facilitar a discussão de classe.





Atividade adicional: Jogo: Morto ou Vivo

Esta é uma atividade divertida para usar como um meio de explorar as semelhanças, diferenças e singularidade.
Nesta versão de Morto ou Vivo, os alunos irão responder apenas quando o comando é válido para eles. Por exemplo, "Quem tem olhos,castanhos levanta!”. "Todos os alunos de olhos castanhos levntam.”

Outras frases podem incluir:
• “Quem gosta de futebol, fique em um pé."
• "Quem tem um gato de estimação, coloque sua mão esquerda sobre o sua cabeça ".


Após o jogo os alunos sentam em círculo. Peça a cada aluno apontar um colega que de alguma maneira ele / ela e o outro aluno são semelhantes. Peça aos alunos comentarem algo que não conheciam sobre um colega antes do do jogo.

Consulte:
Hopkins, G. (2004). Simon Says "Who Are You?". Retirado do Décimo Sétimo Encontro Mundial de Educação.- fevereiro de 2005. http://www.education-world.com/a_lesson/00-2/lp2061.shtml

Faherty, C. (2000). Asperger ... O que isto significa para mim? Arlington, TX: Futuro Horizons, Inc.

* Recurso extra: Autism Society of America. Crescendo Juntos. (2004).
http://www.autism-society.org/site/DocServer/Growing_Up_Brochure_May _2004.pdf? Docid = 1561 = 1041 & AddInterest

Maguire, A. (2000). Pessoas Especiais maneiras especiais. Arlington, TX: Futuro Horizons, Inc.


Como educar as crianças sobre autismo em uma prática pedagógica inclusiva

Autores: Viviane Timmons, PhD; Marlene Breitenbach, MSEd, BCBA; Melissa Maclsaac, Med©
Fonte: http://http://www.gov.pe.ca/photos/original/ed_autisminc.pdf (pesquisa na íntegra)
A pesquisa, intitulada Práticas Inclusivas para crianças no espectro autista, foi conduzida pela Universidade de Prince Edward Island em parceria com o Departamento deEducação Prince Edward Island, entre 2001-2005. Professores e auxiliares de educação que trabalham com alunos com autismo foram entrevistados pelos pesquisadores.
Tradução: Marie Dorión Schenk


Para educadores:


O que é Autismo?


O autismo é uma perturbação do desenvolvimento que afeta o funcionamento normal do cérebro. Autismo está presente desde o nascimento e tem uma influência em como um indivíduo aprende. A pessoa é geralmente diagnosticada por volta dos três anos de idade e continua autista até a idade adulta. Indivíduos com autismo freqüentemente possuem dificuldade com as habilidades de comunicação, habilidades sociais, e raciocínio.

Os sintomas do autismo variam muito e podem incluir: o uso repetitivo de objetos, a incapacidade de comunicar com clareza, a resistência a mudanças na rotina, e dificuldade de interação social. Como os sintomas do autismo variam amplamente, é muitas vezes referido como um espectro.

As características mais comuns, porém não cruciais da síndrome, incluem: falta de contato visual, o distanciamento social, dificuldade em expressar as necessidades verbalmente, a repetição de palavras ou frases, e a resposta inapropriada ou diferente a estímulos sensoriais. É importante ter em mente que há uma mudança nos comportamentos ao longo do tempo quando a criança se desenvolve e aprende.

O termo Transtorno do Espectro Autista (ASD) é usado frequentemente para se referir a crianças com diagnóstico de:
Autismo
Síndrome de Asperger
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento Não Especificado (TID)

Estes diagnósticos refletem diferentes graus de severidade em relação aos sintomas.

Não foi ainda identificada uma causa específica, embora o autismo parece ter uma base genética. Técnicas de suporte especializadas, treinamento e, principalmente, a intervenção precoce pode ajudar a dar aos indivíduos com autismo as ferramentas necessárias para que eles levem uma vida significativa e produtiva.

Fonte: Powers, M. D. (2000). Crianças com Autismo: Um Guia dos Pais. (2 ª Ed). Bethesda, MD: Woodbine House.



O que é a prática educacional inclusiva.


Educação inclusiva significa que cada criança tem a oportunidade de aprender em escola de sua escolha. Todas as crianças são bem-vindas para a escola e irão aprender juntas em uma sala de aula regular.

A educação inclusiva se concentra na implementação das melhores práticas para crianças com necessidades especiais dentro da sala de aula regular. Dentro de salas de aula inclusivas, todas as crianças tem a oportunidade de interagir e aprender com seus pares.

Ambientes inclusivos podem aumentar a oferta de oportunidades de interacções sociais para as crianças com autismo e por sua vez, melhorar as habilidades sociais desta população. Interagir com seus pares dá aos alunos com autismo a oportunidade de praticar habilidades de comunicação, desenvolver amizades e ver como se comportam os colegas nas situações do dia a dia.

As pesquisas têm demonstrado que os colegas podem ajudar a ensinar habilidades sociais para alunos com autismo. Para que isso aconteça, as atividades deverão ser devidamente estruturadas; informação sobre autismo e como interagir com a pessoa autista tem de ser disponibilizada aos colegas, e os professores têm que guiar ativamente as interações e reforçar os esforços de interação entre os alunos com autismo e seus colegas (Wagner, 1999).

Os colegas também se beneficiam por terem colegas com autismo em sala de aula. Quando os colegas de crianças com autismo são educados sobre o autismo, e lhes é dada uma oportunidade para atuar como tutores dos colegas / amigos, eles aprendem a aceitação e a empatia, agem como modelos, e se tornam mais conscientes sobre os pontos fortes e fracos de cada indivíduo.(Wagner, 1999).

Nos posts a seguir, estão incluídos uma variedade de planos de aula para ajudar os professores a educar os alunos sobre autismo assim como conscientizar sobre pessoas com necessiades especiais em geral. Como educador (a), você terá que julgar o nível de maturidade da sua classe e ajustar as discussões e atividades propostas ao nível de compreensão da turma. Por favor, lembre-se que não censurar perguntas e a honestidade nas respostas na maioria das vezes ajudam os alunos a entender e ter empatia.

Fonte: Wagner, S. (1999). Inclusive Programming for Elementary Students with Autism. Arlington, TX: Future Horizons, Inc.


Para crianças:


O que é Autismo?

Fale com as crianças sobre autismo sempre de uma forma positiva.


Quando dizemos que uma pessoa tem autismo é porque o cérebro dela funciona de forma diferente. Esta pessoa pode, em alguns momentos sentir e pensar de uma forma diferente da nossa.


Mas, a pessoa com autismo pode gostar das mesmas coisas que nós, como ir à praia, correr, pular e ter amigos. A pessoa com autismo pode ter alguns comportamentos que nós não entendemos, mas ela só está procurando entender o mundo à volta dela de uma maneira diferente da nossa. Algumas pessoas com autismo não conseguem falar, ou tem uma grande dificuldade para expressar o que estão sentindo ou precisando, por isso, elas podem se sentir frustradas e parecer que estão bravas.

As pessoas com autismo precisam muito da nossa ajuda e compreensão para poderem aprender sobre nós e nós sobre elas, assim poderemos ser todos amigos e descobrir pontos de vistas que jamais imaginaríamos.

Você pode ser amigo de uma pessoa com autismo! A pessoa com autismo nasce assim, é uma pessoa que vê e sente as coisas de maneira diferente desde o nascimento, você não pega autismo ou fica autista.


Ao professor: Se você tem criança(s) com autismo na sua sala de aula


Planejamento Colaborativo
Como acontece com qualquer aluno, as crianças com autismo se beneficiam quando professores e pais estão na mesma página e os esforços em casa e na escola são mútuos (Organization for Autism Research, 2004). Antes do planejamento de uma aula, o professor deve primeiro reunir-se com os pais para discutir a possibilidade de uma aula para a classe sobre autismo. É importante incluir as idéias da família, e se for o caso, incluir também as idéias do aluno sobre autismo. Explique porque você acredita que uma aula sobre autismo beneficiaria os colegas e o aluno; e qual é o resultado esperado.

Os pontos de discussão a seguir, ajudarão a assegurar que todos os envolvidos, professores e família, estejam satisfeitos com o plano.

1. O seu filho sabe que ele tem autismo?
2. Você se sente confortável com a classe saber que o seu filho tem autismo?
3. Você acha que uma apresentação para a classe seria benéfica?
4. Como gostaria de ser envolvido?
dando informações ao professor
ser parte da apresentação para a classe
dar informações por escrito ou por imagens sobre seu filho
sugerir que um outro membro da família participe da apresentação
5. Como você gostaria que seu filho seja envolvido?
dentro da sala e como parte da apresentação
dentro da sala como um ouvinte, mas não um apresentador
não estar presente para a apresentação
como co-apresentador
6. Alguma sugestão de estratégias úteis ou técnicas que possam ajudar na interação dos colegas com seu filho?
7. Existe alguma informação específica sobre o seu filho que você gostaria de compartilhar?

Com base no que a família espera, o professor pode planejar como fazer um plano de inclusão específico para seu aluno em questão.

Abaixo estão listadas alguns componentes básicos para o planejamento de aula sobre autismo:

1. Introdução
Aumentar a conscientização sobre a diversidade, as semelhanças e diferenças entre os indivíduos

2. Informações gerais sobre autismo
Fornecer informações precisas sobre o autismo e autistas e suas características. Use mídia variada e recursos impressos (folhetos) e/ou atividades “hands-on” para ilustrar as principais características.

3. Informações específicas sobre o aluno
Descrever ou ilustrar como o autismo afeta o aluno com autismo em sua vida cotidiana. Mantenha o tom positivo e inclua as habilidades ou interesses especiais em relação ao aluno com autismo. Você pode descrever os eventos em que a escola pode ser particularmente estressante para o aluno.

4. Sugestões
Fornecer aos colegas idéias específicas sobre a melhor maneira de como conhecer o aluno com autismo e como eles podem ajudar o aluno com autismo durante o periodo escolar.

5. Discussões
Dê tempo para a discussão aberta ou perguntas.

Follow-up
Você pode perceber a mudança de atitude dos colegas. Certifique-se de reconhecer os esforços dos alunos para apoiar a criança com autismo. Quando você ver os colegas usando as estratégias que foram discutidas incentive e afirme que você está aberto a outras questões que possam surgir.

Depois de completar a atividade, entre em contato com a família e comente os resultados do plano. A permanente comunicação com os pais é muito importante e ajuda a construir confiança e respeito. Comunicar-se regularmente com os pais sobre o progresso da criança e a participação dos pais no processo educativo ajuda os pais e professores a formam um grupo de trabalho forte em parceria.

Friday, March 4, 2011

Monday, February 7, 2011

Vídeos - Como nossos filhos sentem.

Achei os dois vídeos extremamente interessantes para entendermos um pouquinho do que se passa com nossos filhos, o primeiro é o caso de uma menina com comprometimento severo, o segundo um lindo garoto Asperger.

Não acredito que todos o autistas sintam assim, da mesma forma como nem todo neurotípico sente igual, mas a história deles é muito valiosa para quem quer entender o que uma pessoa com autismo pode sentir em relação ao mundo e seu próprio corpo.

http://www.youtube.com/watch?v=M5MuuG-WQRk&feature=player_embedded

As informações mais interessantes deste vídeo no meu ponto de vista, são a explicação que ela dá da sua lucidez em relação ao mundo ao seu redor, que os seus comportamentos têm uma "força própria", que ela entende o que é certo e errado, mas que não tem controle sobre seu corpo.
Os comportamentos das pessoas autistas não podem ser julgados por ninguém e as pessoas não podem ser rotuladas com base neles. Eu acredito que a sociedade precisa ser mais tolerante com as pessoas que não têm controle sobre seus comportamentos e tentar entender o quão dura é a vida para estas pessoas e o quanto os "típicos" deveriam ser agradecidos por não ter que lidar diariamente, minuto a minuto, com um desafio desta grandeza.

http://www.youtube.com/user/Madhavamendes#p/u

Neste segundo vídeo é tão sincero a explicação que o garoto dá sobre a diferença de ser capaz de falar, porém com a incerteza de se comunicar.
Comunicação vai muito além de falar!
Muito interessante os aspectos que ele ressalta da sua personalidade, eloquencia e inteligência superiores à sua idade e desejos e gostos de um garoto de 6 anos.

Obrigada à Ana Muniz por postar o primeiro vídeo e a Márcia por divulgar o segundo.

Na mesma linha há um post em outro blog que vale um visita:
http://amaedoautista.blogspot.com/2010/09/video-sobre-autista-nao-verbal-que-se.html

Thursday, December 16, 2010

ABA - Applied Behavior Analysis

Análise do Comportamento é o estudo científico do comportamento, Applied Behavior Analysis - análise aplicada do comportamento - (ABA) envolve o que já sabemos sobre o comportamento, baseado nos princípios de comportamento, e assim usar esta informação para trazer uma mudança de comportamento que seja positiva.

Comportamento deve ser entendido como resposta humana a um estímulo e NÃO obediência, a escolha de estratégias a serem usadas para ajudar a criança em seu desenvolvimento e a entender o mundo são baseada na análise do como e porque a criança reage a esses estímulos da maneira que impedem que ela se desenvolva.

A análise do comportamento avalia e acessa as variáveis biológicas e ambientais que cercam o indivíduo e assim pode determinar como essas variáveis afetam o seu comportamento. Com essas informações de análise é possível que um plano educacional/comportamental seja traçado e assim determinadas as ferramentas mais apropriadas para auxiliar o desenvolvimento da criança específica.

Por isso, o princípio fundamental do
ABA é a análise do comportamento, como o próprio nome diz, o trabalho de detetive e tão importante e eu acredito ser a peça crucial do plano educacional.

Outro princípio do ABA é quebrar em pequenas etapas o que deve se ensinado, assim a confusão sobre o tema é aliviada e o aprendizado ganha espaço. Além disso, com a coleta de dados e observação do comportamento da pessoa em tratamento, é possível que se encontrem as raízes das perturbações que causam os desvios de comportamento.

O ABA tem princípios voltados para a obediência da criança e enfatiza o adulto como líder que levará a criança ao aprendizado.

Esta obediência não deve ser encarada como uma força sobre a criança e sim como uma conquista, a verdadeira obediência vem do respeito e entendimento mútuo e não do medo. Quando você conquista uma pessoa através do respeito você pavimenta caminhos de interação e aprendizado.

O que muito se fala sobre ABA são os trabalhos em mesinha ou uma obsessão sobre os reforços tangíveis, essas são algumas ferramentas do ABA e não a técnica em si, só através da análise do comportamento é possível saber se são ferramentas apropriadas para seu filho.


O ABA tem programas estruturados com ferramentas específicas ou genéricas, estes programas desenvolvem o cognitivo, a fala, mudança de comportamentos entre outros.

A base da aplicação do ABA é em terapeutas ou pessoa treinadas, mas nada impede que mãe, pai, tia, tio, avó, voluntário também sejam treinados para aplicar o ABA. Alguns princípios, podem e devem ser carregados para a rotina diária.

Deve existir sim, um coordenador do plano de tratamento e principalmente o plano de tratamento, para que todas as pessoas envolvidas com a criança mantenham a constância necessária para a eficácia do programa.


O ABA, assim como qualquer terapia comportamental deve ser encarada como uma dança, o movimento e comportamento do terapeuta devem estar em sintonia com a criança. Não existe vencer ou perder, o terapeuta é o facilitador entre a criança e o aprendizado, é uma situação em que todos devem vencer.


Bibliografia:

A work in progress. Behavior Management Strategies and a Curriculum for Intensive Behavioral Treatment of Autism by Ron Leaf & John McEachin.

Playing, Laughing and Learning with Children on the Autism Spectrum - A pratical Resource of Play Ideas for Parents and Carers by Julia Moor.



Monday, December 13, 2010

Desenvolvimento pragmático - nossa experiência

Um dos primeiro exercícios para ajudar no desenvolvimento pragmático que eu usei com o Luís foi transformar a idéia abstrata de uma conversa em algo visual e concreto. Naquela época o Luís não tinha interesse por desenhar, porém, mesmo assim eu usei o desenho como meio porque não consegui pensar em outra ferramenta.

Todos os dias nós fazíamos um desenho juntos, esse desenho era composto por formas simples e cada um acrescentava uma forma que trocaria o significado do desenho. Por exemplo, o Luís desenhava um círculo (com prompt total porque ele não tinha interesse em desenhar), daí eu exaclamava que era uma bola, então eu desenhava um cone abaixo da bola e dizia que era um sorvete, então, ainda com o uso do promt total ele desenhava dois olhos e um nariz na bola e então eu exclamava que era um palhaço. E assim íamos transformando as formas intercalando as idéias. Não demorou muito o Luís passou a se interessar em desenhar como uma forma de expressar idéias (sem precisar de prompt) e passou a entender não somente que poderíamos construir uma terceira idéia juntos, mas que também poderíamos mudar de idéia.

Paralelamente, na rotina diária eu passei a enfatizar esse tipo de situação, eu comer carne, ele escolhe macarrão, então podemos comer spaghetti à bolonhesa. É quase como negociar tudo, porém o objetivo é claro, construir juntos a idéia.

Outra técnica que eu usei com ele foi pensando na noção de perspectiva do próximo, então treinávamos várias vezes ao dia em mostrar as coisas para quem estivesse em casa, fotos, brinquedos, desenhos, capas de DVDs, como eu tinha um fluxo grande de gente todos os dias em casa consegui bastante repetição diária com a mesma coisa a ser mostrada, cada dia tínhamos algo diferente para mostrar, mas no mesmo dia só mostrávamos o item escolhido para todos os que vinham, e mostrar significava ter certeza que o outro conseguiu ver, virar o desenho ou foto em direção ao outro, segurar o brinquedo de forma que o outro pudesse vê-lo.


Chegou a hora no desenvolvimento dele de contar fatos, nós começamos com fotos e a relembrar os acontecimentos, isso também fazia parte do nosso programa para organizar a memória (pensamentos), então passamos a usar a técnica do lixo representativo. Todos os fins de semana fazíamos um programa "memorável", podia ser tomar um sorvete, pic-nic no parque, ir ao zoológico, museu. Então, na segunda-feira o Luís levava em um saquinho um lixinho que representasse esse programa, esse saquinho era então grampeado numa folha sulfite e a professora pedia que ele falasse sobre o que estava no saquinho, dai ela escrevia o que ele tinha dito e retornava o saquinho de volta para casa com a folha grampeada. No começo o Luís só dizia uma palavra sobre o lixinho, depois ele passou a dizer mais detalhes do que tinha acontecido. Para reforçar essa memória eu sempre enfatizava na hora de coletar o lixinho, "mamãe vai colocar esse pedacinho de papel no saquinho assim você pode contar para a teacher Wendy o que aconteceu.

Uma das vezes eu enviei terra no saquinho porque eu e o Luís tínhamos plantado algumas sementes naquele fim de semana, porem nós fizemos outras atividades também e na volta veio a frase "birds were flying" e eu me lembrei que havíamos ido ao parque e que nos divertimos fazendo os pássaros voarem. Mesmo que não tenha sido relacionado com o lixinho, o comentário havia sido perfeito, ele compartilhou com a professora o que mais havia gostado no fim de semana e não necessariamente o que eu tinha escolhido. Como a professora não tinha dicas do que havia acontecido ela pôde continuar a conversa sem pensar se o comentário era certo ou errado.

Também seguíamos trabalhando o sequenciamento de imagens e eu tirava fotos das sequências das atividades que nós fazíamos, há um exemplo do sequenciamento das fotos no link abaixo:
http://autismoemacao.blogspot.com/2010/12/enfeites-de-natal.html
e uma vez por semana ele contava a fonoterapeuta o projeto que havíamos feito, detalhando os acontecimentos.

Duas amigas telefonavam diariamente e o Luís contava (da maneira dele) alguma coisa do dia,
elas pacientemente ouviam e contavam algo do dia delas. Como não eram pessoas que o Luís via todos os dias ele passou a entender que não sabemos de tudo o que acontece com todos e que cada um tem uma rotina distinta. A partir deste click ele aprendeu a mentir.


A maior dificuldade do Luís ainda era a postura corporal para a entrada em um grupo e sua manutenção como parte do grupo. Como ferramenta me apoiei no vídeo do Zeebu:
http://playtimewithzeebu.com/
e usávamos a linguagem no dia a dia, em casa criávamos cenas como as do video em que eu conversava com alguém mas não usava o poder dos meus olhos para me manter no grupo, ajustávamos nossa postura (ombros e quadris) para estarem voltados ao grupo. Na escola foi adotada a mesma linguagem e assim facilitava o prompt e sempre era ressaltado o significado da postura corporal nas crianças "olha o Luís está interessado no livro que a professora esta lendo porque seus olhos e ombros estão voltados para a professora."; " Acho que o Luís quer brincar sozinho porque esta de costas para s colegas." (e geralemente ele corrigia a postura para estar socialmente receptivo).


Oi e Tchau ainda são desafios ao Luís, ele não vê o ponto das ações, aos poucos, com lembretes constantes após uma espera pela iniciativa a habilidade esta emergindo, o que ajudou foi o cumprimentar com um aperto ou jogo de mãos.



Também trabalhamos bastante o processo de organizar os pensamentos e a memória, conversar sobre o que ele achava das ações das outras pessoas e o que elas achavam das ações dele. Ressalto, até hoje, o que as pessoas sentem com as nossas ações. " Você acha que o papai vai ficar feliz se nós prepararmos um jantar para ele?"; "O que você acha que a outra criança vai sentir se você não deixar ele ver seu carrinho novo?" Conversávamos bastante sobre a repercussão das ações de uma pessoa sobre a outra nos filminhos e desenhos.


Nesta mesma época introduzi o que você acha na vida dele, também dentro do processo de pensamento com um foco social.