Wednesday, November 10, 2010

Brain Gym


"Movimento é a porta para o aprendizado."
Paul and Gail Dennison



Brain Gym (Ginástica do Cérebro) é uma série de atividades divertidas, rápidas e energizantes. Estas atividades são efetivas para preparar qualquer pessoa para o aprendizado envolvendo pensamento e coordenação.



Conceitos básicos do Brain Gym



Movimentos físicos estimulam as funções cerebrais


Movimentos específicos do corpo estimulam aspectos particulares das funções cerebrais. Um exemplo é "Dennison Laterality Repatterning" que consegue a integração neurológica entre o sistema vestibular, movimentos de motor-grosso, movimentos do cerebellum e ganglia de base e também uma ativação equiparente dos hemisférios direitos e esquerdo do neocortex. São 23 exercícios com o objetivo de ativar funções cognitivas como comunicação, compreensão e organização.


O estresse inibe o aprendizado



Sob estresse, a atividade no sistema corpo/mente fica centrada no sistema nervoso simpatético que prepara o corpo para a reação conhecida nos EUA pelos 3 Fs -fight, flight, freeze (briga, fuga e congelamento) que são reações de medo que muitas vezes tomam forma como agressões. Como resultado deste estado de estresse fica diminuida as atividades no sistema límbico aonde a memória ocorre e no neocortex do cerebellum, onde pensamento e razão acontecem.


Bloqueios de aprendizado podem ser desfeitos com Brain Gym



Bloqueios de aprendizado podem ser gerais ou específicos a uma informação, tema ou aspectos de um tema. Nós todos temos alguns bloqueios de aprendizagem em algum grau para alguma tarefa e não usamos nossa capacidade cognitiva máxima frente a esta tarefa.




Todo aprendizado depende na habilidade de perceber o que funciona e o que não funciona no domínio de uma ação, a percepção é um mecanismo pessoal de regeneração.



Os movimentos do Brain Gym ativam concientemente todo o sistema mente/corpo, estimulando a atividade do sistema nervoso de forma igual em todas as partes do cérebro diminuindo as reações de medo (3Fs). Quando o aprendizado é fácil e livre de estresse, o aluno retoma o interesse inato em aprender e é motivado para explorar e aprender mais.




O que é Cinesiologia Educacional (Educational Kinesiology - Edu-K) e Brain Gym®?


Especialistas em desenvolvimento sabem há mais de oitenta anos que o movimento melhora a aprendizagem. No início dos anos 70, o educador e especialista em leitura de Paul E. Dennison, Ph.D., complementou esse conhecimento implementando movimentos especiais em suas clínicas de ensino. Dr. Dennison pesquisou esses movimentos, simplificado-os, e criou técnicas para tornar estes movimentos efetivos a todos. Em colaboração com sua esposa e parceira, Gail E. Dennison, ele desenvolveu uma nova forma de compreender o processo de aprendizagem. Esse novo campo é conhecido como Cinesiologia Educacional (Edu K, como abreviação), e estes movimentos são chamados de Brain Gym ®.

Para explicar como Edu-K funciona, o Dennisons descreveram o funcionamento do cérebro humano em três dimensões:
atenção, lateralidade, e centralização. A função cerebral bem sucedida exige ligações eficientes entre as vias neuronaiss localizadas por todo o cérebro. O estresse inibe essas conexões, enquanto os movimentos da Brain Gym ® estimulam o fluxo de informações ao longo dessas redes, restabelecendo a capacidade inata de aprender e viver com curiosidade e alegria.

A Dimensão de Lateralidade pertence ao relacionamento entre os dois lados do cérebro - em especial na lnha mediana, onde os dois lados devem se integrar. Habilidades como a leitura, escrita, audição ou fala tem os fundamentos básicos na lateralidade cerebral. Eles são essenciais para o padrão de movimento de corpo inteiro, e para a capacidade de mover e pensar ao mesmo tempo.


A Dimensão de Atenção descreve a relação entre o dorso e as áreas frontais do cérebro. A antenção afeta a compreensão - a capacidade de combinar informações de contexto e em um sentido pleno pessoal e de compreender a informação nova em termos de experiência anterior. Distúrbios de atenção (DDA ou TDAH) estão relacionados com a incapacidade de se concentrar.

A Dimensão de Centralização diz respeito à ligação entre as estruturas superior e inferior do cérebro. Centrar nos permite harmonizar a emoção com o pensamento racional. O estresse pode perturbar a centralização e equilíbrio, deixando-nos tensos e "fora de giro", quando estamos centrados, nos sentimos mais organizados e seguros de si.


Pessoas de várias nacionalidades desfrutam dos movimentos do Brain Gym ® nas salas de aula e no trabalho, como uma ferramenta para integrar o cérebro antes de aprender, de trabalhar ou de atividades esportivas, bem como durante os intervalos. Cada pessoa pode obter resultados mais específicos em consultas particulares, definindo uma meta, fazendo certos movimentos de Brain Gym ® com a finalidade de integrar o cérebro para uma atividade específica, e depois repetir a atividade para validar que a nova aprendizagem ocorreu. Os resultados destas sessões particulares são evidentes de imediato e aumentam ao longo do tempo.




Os benefícios do Brain Gym ® incluem melhorias na aprendizagem, visão, memória, expressão, movimento, tanto em jovens e adultos. Na sala de aula, os professores normalmente relatam melhora na postura, atenção, dever de casa, comportamento e desempenho acadêmico para a classe inteira.

Fonte:
http://www.braingym.com/ (tradução na íntegra)

Sunday, November 7, 2010

Dr. Alfred Tomatis


Médico e especialista em Oto-Rhino-otorrinolaringologia (ouvido, nariz e garganta), Dr. Tomatis foi o primeiro pesquisador a descobrir a importância dos sons de alta freqüência para promover o estado de alerta, atenção e criatividade. Ele também foi o primeiro a reconhecer a importância de um ouvido dominante, o ouvido direito, que controla da linguagem e musicalidade.

Ele foi o primeiro a perceber a relação cibernética entre o ouvido e a voz, hoje conhecida como o Efeito de Tomatis; e a relação entre o ouvido e o corpo, guiou diretamente para o uso de música e som no tratamento de muitas disordem da fala. Sua pesquisa, posteriormente, serviu de base para aprofundar a investigação de problemas médicos, psicológicos, educacionais e de atenção, tais como depressão dislexia, e ansiedade e Déficit de Atenção.

Um dos primeiros resultados da pesquisa do Dr. Tomatis foi a descoberta que já existe a audição na vida intra-uterina.

A existência da audição no útero estabelece as primeiras relações entre mãe e filho, tão importante para o desenvolvimento da linguagem, conexão entre mãe e filho e conexão emocional. A voz da mãe, literalmente, alimenta e nutre a criança, bem como estimula o crescimento do cérebro.

Tomatis foi um dos primeiros a ressaltar os efeitos perigosos que infecções no ouvido poderiam ter sobre o desenvolvimento do sistema auditivo em crianças. Estas infecções crônicas resultam no atraso do desenvolvimento da linguagem e compromete o aprendizado da leitura, ortografia e outros problemas de aprendizagem na escola.


As Leis de Tomatis:
Primeira: A voz só contém aquilo que o ouvido pode ouvir.

Segunda: Se estimularmos o ouvido danificado com as frequencias perdidas ou comprometidas de forma correta, estas frequencias são imediatamente restauradas no ouvido e consequentemente devolvidas à voz.


Terceira: Suficiente estimulação auditiva proporcionará uma melhoria duradoura da capacidade de ouvir e consequentemente uma melhor reprodução do som.



Princípios Fundamentais do Dr. Alfred Tomatis

O ouvido é um transdutor que converte as propriedades físicas do som e vibração em propriedades elétricas. Portanto, o ouvido é como uma bateria para o cérebro que carrega o córtex com energia, particularmente através de altas freqüências. O sistema vestibular estimulado pela condução óssea e pelas baixas freqüências, "dinamiza" o corpo com profundas alterações no tônus muscular, na coordenação e no equilíbrio.

O som é um nutriente. O cérebro precisa deste nutriente e de estimulação cortical para o funcionamento optimizado da mesma forma que necessita de oxigênio e glicose para seu metabolismo. Ele descobriu que os sons de alta freqüência têm um efeito nutritivo e energizante sobre o sistema nervoso.


Dr. Tomatis estabeleceu uma distinção entre ouvir e escutar. Ouvir (hearing) é primariamente fisiológico e anatômico; é um processo passivo. É simplesmente a capacidade do ouvido para ouvir os sons de entrada em um patamar normal. Escutar (listening), porém, é um processo ativo que é sobretudo psicológico que requer motivação, desejo e intenção de absorver, processar e responder às informações.
Escutar também envolve a capacidade de ignorar as distrações e sons irrelevantes, Escutar é uma atividade de foco.

Ele descobriu a relação cibernética entre o ouvido e a voz. Através desta relação, ele reconhece que as mudanças no ouvido seriam refletidas na voz, não importa se estamos cantando ou falando.
A capacidade de ouvir de uma pessoa afeta não só a comunicação, mas também o nível de alerta mental, criatividade, memória, concentração e socialização.

Suas teorias são profundamente usadas na área de comunicação, psicologia, fala e linguagem, música, integração de linguagem.

A audição já está presente antes do nascimento. O ouvido está desenvolvido aos quatro meses e meio de vida intra-uterina, onde o feto escuta a voz da mãe. Assim, as bases neurológicas da linguagem são impressas no útero.

Thursday, November 4, 2010

Transtorno semântico pragmático ou autismo?


Este termo Transtorno Semântico Pragmático é muito usado e define as dificuldades dos autistas de alto funcionamento ou Aspies, que a meu ver, são pessoas que estão dentro do espectro autista.

O semântico se refere a capacidade de significação, ou seja, de entender a linguagem. O pragmático é a parte social da comunicação.

Cognitivo e inteligência é a mesma coisa. O que confunde é que inteligência não é somente conhecimentos acadêmicos, mesmo que, de uma forma prática inteligência e cognitivo subentendem raciocínio lógico e acadêmico.

Nós temos vários tipos de cognitivo (inteligência); a inteligência acadêmica que pode ser subdividida em várias áreas como matemática, linguística, fatos, etc. E temos também a inteligência emocional/social, também chamada de cognitivo pragmático que inclui a habilidade social, a capacidade de se ajustar as diferentes situações da vida, conversar inclui a Teoria da Mente, do neurônio espelho, a capacidade de se colocar na perspectiva do outro, entender intenções, interpretação de texto, entender a moral da história.

O que acontece é que para estar no espectro autista a pessoa precisa ter déficit na área pragmática que é justamente área do entendimento social, esse déficit, porém também é em graus variados, não é tem ou não tem inteligência pragmática, a pessoa pode ter em certa extensão mas, há um déficit. Pessoas sem o diagnóstico de autismo também podem apresentar déficit nessa inteligência porém esse déficit não os torna disfuncionais. É muito comum que pessoas com síndrome compulsiva obsessiva, ADHD, ADD, entre outras também tenham dificuldades nessa área.

O cognitivo pragmático desenvolve-se intuitivamente e começa esse desenvolvimento nos jogos de esconder da primeira infância.

O que a inteligência pragmática faz por nós?

É através dessa inteligência que podemos dividir e unir nossas idéias com de outra pessoa e assim chegar a um produto final ou uma terceira idéia. É aqui se faz outra confusão "autista não tem imaginação" e por isso não consegue interagir no mundo das idéias. Com essa definição, muitas mães saltam e dizem "então meu filho não é autista porque ele tem imaginação" e as mães estão certíssimas no seus pontos de vista, o que falta é o entendimento que a criança/pessoa com autismo tem imaginação porém é a “imaginação individual” o que não existe é a capacidade de “dividir a imaginação” (e essa capacidade também pode vir em graus variados, não é tem ou não tem).

Muitas crianças têm uma imaginação individual fantástica, super elaborada, mas ela é a única autora dessa imaginação (mesmo que seja cópia da TV ou livros) e se você quiser participar da brincadeira imaginativa dela, você tem que seguir o script, seguir o que ela imaginou e planejou que você deve fazer para a brincadeira ser correta. Não precisa nem dizer que outra criança não vai achar graça nenhuma em brincar por longos períodos com alguém assim e construir uma amizade.

Conseguir trabalhar cooperativamente também é um outro obstáculo na deficiência do cognitivo pragmático, mesmo que a pessoa seja brilhante em suas idéias não conseguirá trabalhar em grupo porque grupo significa dividir e somar idéias para chegar a uma idéia comum (ou nem tanto) mas que não seja a imposição de uma única idéia.

Entender que seu comportamento provoca reações nas emoções das outras pessoas também vem dessa inteligência, e mais, entender que o mais importante em uma conversa entre amigos não é a troca de dados e sim as emoções envolvidas. É o tal, mais vale um amigo que uma piada, que muita gente "normal" faz o contrário.

Na inteligência pragmática está todo o uso da linguagem não-verbal e tudo o que está por trás das emoções e de regular as suas emoções com o momento e situação presente. Absolutamente complexo e totalmente intuitivo, e essas regras sociais variam conforme a idade, cultura, local, etc.

Qual característica e comportamentos de uma pessoa com déficit cognitivo pragmático?

Elas parecem mandonas, frustram-se facilmente nas relações sociais, tem dificuldade de manter ou iniciar uma conversa porque estão mais preocupados com o tópico (se é interessante para eles ou não) do que as emoções e troca de emoções envolvidas em uma conversa, tem dificuldade com a postura corporal (mais da metade das informações que nós enviamos em uma conversa estão na postura do nosso corpo, no nosso olhar), e tem muita dificuldade com flexibilidade e troca de rotinas (também em graus variados).

O que acontece com o autista por causa do déficit pragmático?

São mal interpretados como "autista gosta de ficar sozinho" ou pior "autista não gosta de gente".

Tudo isso gera uma confusão muito grande e a ansiedade sobe, a frustração fica maior e ai vem o comportamento. A maioria das pessoas só olha para o fim da linha, o comportamento, mas a solução está em trabalhar o começo da linha.

Não é fácil achar bibliografia no assunto para crianças menores de 8 anos, pois esse problema só grita por volta dessa idade, antes disso, todos em volta, inclusive a criança, desenvolvem mecanismos compensatórios, mas essa tática despedaça por volta dessa idade se não trabalhada. Aqui encontramos outra confusão, "autista e literal" e o problema vem lá de trás, a pessoa com déficit cognitivo pragmático tem dificuldade ou nenhuma capacidade de "ler" as intenções, e a linguagem figurada fica com sentido sem graça.

Tuesday, November 2, 2010

Dois são necessários em uma comunicação


A beleza da comunicação humana é que nós descobrimos uns aos outros e a nós mesmos enquanto nos comunicamos. Se você souber de antemão o que os outros vão dizer e você já tem sua resposta pronta, não há razão para que que comunicação aconteça.

A primeira tarefa a ser aprendida é que a comunicação acontece entre duas pessoas, no mínimo, ela é regrada por um sistema de turno, em que um fala e o outro ouve esperando sua vez para falar.
Gestos acompanham os sons e auxiliam no entendimento do que você quer dizer, a criança logo aprende que ela consegue coisas dos adultos fazendo sons variados.

Essas convenções e razões para uma comunicação são chamadas de linguagem pragmática.

Muitas das dificuldades sociais tem raiz nesses conceitos, nessa dificuldade de entender a comunicação, não das palavras em si, mas do “jogo” que envolve a conversa.

O período de desenvolvimento da linguagem pragmática começa cedo na vida e é impossível ser aprendida com jogos de computador ou outros eletrônicos, adultos ocupados também não são bons professores, o desenvolvimento pragmático depende das relações cara a cara, das reações que acontecem nesses encontros.
Bibliografia:

How your child’s brain grow. Brain Development and Learning From Birth to Adolescence, Jane M. Healy, PH.D.
The RDI Book. Forging New Pathways for Autism, Asperger’s and PDD with the Relationship Development Intervention Program, Steven E. Gutstein, PH.D.

Saturday, October 30, 2010

A fala: mecanismos da comunicação, as regras e o significado do que se comunica

Como qualquer sistema de produção, a linguagem tem duas partes: entrada e saída.

Sem a entrada de boa matéria-prima, inevitavelmente a qualidade da produção sofre, isso acontece também no sistema de produção de linguagem. Se o estímulo recebido não entra com qualidade e clareza, seja por um problema de qualidade do estímulo, seja por problemas no processo auditivo, mecânico ou neuronal, o que a fala será capaz de produzir não será de qualidade. Este efeito é conhecido como o Efeito Tomatis: “a voz só produz o que o ouvido pode ouvir”.

O processo mecânico da fala depende da entrada clara, na ordem correta e manutenção dos sons na memória imediata o tempo suficiente para que o cérebro registre estes sons. Então, a ordem deve ser recapturada e enviada ao aparelho da fala para a produção das palavras.


Fonologia é o nome dado à capacidade de usar sons. O desenvolvimento fonológico começa quando o som da fala ativa redes neurais.

Marcos do desenvolvimento mecânico da fala:
4 primeiros meses: Pode distinguir entre sons diferentes.
4 a 8 meses: balbucia.
9 a 12 meses: Primeiras sílabas (mama, papa)
Primeiras consoantes, geralmente p,m,t, k.
Primeiras vogais, geralmente a, i, u.
A criança seguirá balbuciando mesmo já sendo capaz de dizer as primeiras palavras.
3 anos: A fala pode ser entendida.
4 a 5 anos: Pode pronunciar junções mais complexas de consoantes.
6 anos: Pode produzir e distinguir todos os sons das vogais.
8 anos: Pode produzir e distinguir todos os sons das consoantes.
9 anos: Pode lembrar e produzir 4 a 5 palavras em sequência.

As regras do processo da fala chamamos de gramática (sintaxe).

Algumas crianças têm problemas para incorporar estas regras de gramática. O problema pode ter como raiz modelos de baixa qualidade de gramática em casa ou outro ambiente, podem ser causados por problemas no ouvido durante seus primeiros anos de vida, ou possivelmente de algum atraso nos circuitos do cérebro que causa uma deficiência de linguagem. A criança que tem dificuldade em lembrar seqüências de palavras terá dificuldade de reproduzi estas sequências em sua fala.

Crianças aprendem regras sintáticas através dos adultos. Uma maneira de corrigir erros sintáticos é re-frasear e expandir a fala. “Ontem eu foi na escola”; “Ontem eu não fui na escola, só você foi, eu fui ao mercado”.

Você também pode criar jogos específicos, como jogos de preposição se o problema da criança estiver no uso delas.


Seja paciente, estas regras gramaticais são incrivelmente complicadas. Muitas vezes, a iniciativa e desejo de se comunicar expressando suas idéias é mais importante do que a utilização correta da regra gramatical.

A semântica representa entender o significado da linguagem, sejam palavras simples ou longos textos.
O modelo para a compreensão da linguagem e sua expressão está nos padrões da experiência pessoal da criança.

As crianças desenvolvem redes semânticas a partir de experiências em primeira mão, com objetos do mundo real, ouvem as palavras associadas a esses objetos e, em seguida, associadas a outras palavras.

Compreender a língua é basicamente uma questão de compreender relações. Um problema precoce em entender relações é em torno dos pronomes. "Você me dê isto" significa coisas diferentes dependendo de quem o diz.

Aqui e ali, preposições em geral, pequeno e grande, etc., tudo depende de compreender relações. O cérebro humano é bem adaptado para este tipo de trabalho se a pessoa tiver uma boa base para a compreensão de relação física, e isso começa entendendo o seu próprio corpo no espaço.

O cérebro tende a lembrar de coisas ou eventos que ele já está maduro para experienciar, que tenham significado, que possam ser agrupados em padrões e possam ser associados a uma experiência anterior. A compreensão também depende de uma experiência prévia em que possa ser feita uma associação.

Bibliografia:
How your child’s brain grow. Brain Development and Learning From Birth to Adolescence, Jane M. Healy, PH.D.
The RDI Book. Forging New Pathways for Autism, Asperger’s and PDD with the Relationship Development Intervention Program, Steven E. Gutstein, PH.D.
Smart Moves. Why learning is not all in your head, Carla Hannaford, Ph.D.

Saturday, October 23, 2010

Gestos


Gestos, mímicas, expressões faciais são o fundamento para desenvolver a linguagem semântica.

A importância da comunicação não-verbal é tão óbvia que é intrínseca ao desenvolvimento típico. Pense no quanto pode ser comunicado sem o uso de palavras.

Se você observar a comunicação, nós estamos o tempo todo procurando por sinais que assegurem que nós estamos sendo compreendidos, a grande maioria desses sinais estão nos gestos que incluem nossa postura que é a expressão corporal e nossas expressões faciais; é daí que vem nossos gestos.

Por isso, é de extrema importância que ao estimular uma criança que tenha comprometimento na comunicação a falar não esqueçamos da tremenda importância de usar e interpretar gestos.

No livro “Your Child’s Growing Mind” da autora Jane M. Healy, PH.D. página 189 você encontra: “Neurolingüistas asseguram que linguagem (e inteligência humana, da mesma forma) desenvolve-se diretamente dos gestos, e também pelo processo de manipular ferramentas (brinquedos no mundo infantil), além de atividades físicas que devem englobar o pensamento e não somente um movimento de reflexo.”

Além da comunicação o uso de gestos desenvolve a inteligência da criança através da percepção e atenção. Inclua no tratamento do seu filho um período do dia em que vocês se dediquem à comunicação sem palavras, use gestos, olhares, posicionamento do corpo como meios de comunicação, você irá perceber como é necessário uma sinergia e que a comunicação mais complexa só acontece quando estes componentes estão presentes e não somente as palavras.


No vídeo abaixo é um exemplo do uso de gestos com seu objetivo maior como o aumento da conscientização do que acontece no ambiente num dos objetivos do programa de RDI.





Também é possível trabalhar gestos com programas de ABA, estes programas definem a importância de aprender gestos, além de conscientização do que acontece no ambiente e entendimento de linguagem não-verbal, mas também o aumento da capacidade de ler pistas sociais; melhorar o funcionamento na sala de aula e em grupos em geral, inclusive o grupo familiar e desenvolve meios de comunicação adicionais.


Na nossa experiência, além de todos os objetivos descritos pelo ABA e RDI em relação aos gestos, nós descobrimos que o gesto, como movimento auxilia na produção oral do Pedro, é como se o gesto facilitasse a organização corpórea para que a fala flua com mais facilidade. Até hoje, o Pedro se apóia na ASL (American Sign Language – Linguagem de sinais) em dias que seu sistema sensorial está mais atrapalhado, e essa ferramenta auxilia na expressão oral.


Bibliografia:


Your Child’s Growing Mind, by Jane M. Healy, PH.D.
Smart Moves, by Carla Hannaford, Ph.D.
The RDI Book, by Steven E. Gutstein, Ph. D.
A work in progress, by Ron Leaf & John McEachin

Thursday, October 14, 2010

Olhar - Nossa experiência


O contato de olhar do Pedro aos 2 anos era quase inexistente, ele sim, trocava alguns olhares comigo porque sou a mãe, mas eram olhares breves e pouco freqüentes.


Aos 2 anos e meio começamos o nosso programa caseiro (sem consultora) de ABA seguindo o livro da Catherine Maurice, mesmo sentindo que algo não estava de acordo, fizemos o programa do "look at me" (olhe para mim e a criança ganha um reforço), guiada pelo instinto, fora da cadeirinha eu buscava o olhar do Pedro e fazia as minhas caretas, segui persistente mesmo com pouquíssimo retorno que vinha quase sem nenhuma qualidade no olhar.


Quando o Pedro estava com 3 anos a consultora comportamental entrou em nossas vidas e reformulou os programas de estímulo do Pedro. Os que se referiam ao olhar tinham como objetivo buscar o olhar do Pedro não importasse o esforço necessário da nossa parte, lenta mas progressivamente o olhar foi aumentando em constância e qualidade.




Instintivamente eu instalei espelhos pela casa, aqueles espelhos de corpo inteiro, porém eu pendurei estes espelhos na horizontal, principalmente nos lugares que o Pedro passava mais tempo, com isso eu trabalhava o olhar dele através do espelho o que pareceu ser mais fácil para o Pedro manter o olhar.

Estes espelhos depois serviram para trabalhar imitação motora e outros jogos de RDI, no vídeo abaixo é um exemplo de uma atividade de RDI mas eu resgatei nossas primeiras interações através do espelho, se você está começando a trabalhar o olhar use a sugestão sem o movimento de ir e vir, só a brincadeira no espelho mesmo.

http://http//www.youtube.com/user/dorionschenk#p/u/13/WTdq3ynDzg0

No vídeo também trabalhamos a fase de transmitir a mensagem só através do olhar (a direção que temos que ir).


Porém, antes de seguir instruções através do olhar, trabalhamos dentro do programa de ABA encontrar o tesouro seguindo olhar, a brincadeira tem duas etapas, na primeira etapa tínhamos 3 cestas exatamente iguais viradas de boca para baixo, então escondíamos um reforço embaixo de uma das cestas, com o olhar e somente com o olhar indicávamos ao Pedro em qual cesta estava o reforço, no início, para a indução de acerto chegávamos a encostar o nariz na cesta que o reforço estava escondido, e daí fomos afastando a indução de acerto até que com o tempo só o olhar na direção da cesta era o suficiente para dar a pista de onde encontrar o tesouro.


Na fase seguinte escondíamos o tesouro (reforço) em um lugar do quarto de terapia e indicávamos aonde estava somente com o olhar, novamente, por causa da mudança da estrutura da "caça" tivemos que encostar o nariz no lugar onde o reforço estava escondido, gradualmente fomos afastando a indução do acerto até que só o olhar na direção já disparava o Pedro pela caça ao tesouro.


Este foi um ponto importante que aprendemos na nossa jornada, o Luís tinha e mantinha um ótimo contato ocular de autista segundo um dos especialistas que nós consultamos, isso queria dizer que ele olhava para nós, porque assim foi treinado, mas o Luís não sabia que através do olhar buscamos informações sobre o ambiente e como devemos nos comportar. Para ele, e depois para o Pedro também desenvolvemos a brincadeira de limpar janelas e espelhos (e os espelhos ligavam para as primordias brincadeiras de buscar o olhar e imitação) somente seguindo as instruções do olhar, como indução de acerto (que foi necessária no começo) usávamos o apontar, mas jamais palavras para não competir com o foco que queríamos ensinar: o olhar como fonte de informação.

http://www.youtube.com/user/dorionschenk#p/u/8/kPNjkqws-H4


http://www.youtube.com/user/mariaschenk#p/u/18/MBuKJi9LSF4


Na rua ou em lojas como supermercados e lojas de departamento trabalhamos com o Luís o olhar pra saber qual caminho seguir, assim em cada encruzilhada ele sabia que teria que olhar para nós e com o olhar nós indicávamos o caminho a seguir. Assim construímos a referência através do olhar, tão importante para o amadurecimento emocional do Luís.