Saturday, October 23, 2010

Gestos


Gestos, mímicas, expressões faciais são o fundamento para desenvolver a linguagem semântica.

A importância da comunicação não-verbal é tão óbvia que é intrínseca ao desenvolvimento típico. Pense no quanto pode ser comunicado sem o uso de palavras.

Se você observar a comunicação, nós estamos o tempo todo procurando por sinais que assegurem que nós estamos sendo compreendidos, a grande maioria desses sinais estão nos gestos que incluem nossa postura que é a expressão corporal e nossas expressões faciais; é daí que vem nossos gestos.

Por isso, é de extrema importância que ao estimular uma criança que tenha comprometimento na comunicação a falar não esqueçamos da tremenda importância de usar e interpretar gestos.

No livro “Your Child’s Growing Mind” da autora Jane M. Healy, PH.D. página 189 você encontra: “Neurolingüistas asseguram que linguagem (e inteligência humana, da mesma forma) desenvolve-se diretamente dos gestos, e também pelo processo de manipular ferramentas (brinquedos no mundo infantil), além de atividades físicas que devem englobar o pensamento e não somente um movimento de reflexo.”

Além da comunicação o uso de gestos desenvolve a inteligência da criança através da percepção e atenção. Inclua no tratamento do seu filho um período do dia em que vocês se dediquem à comunicação sem palavras, use gestos, olhares, posicionamento do corpo como meios de comunicação, você irá perceber como é necessário uma sinergia e que a comunicação mais complexa só acontece quando estes componentes estão presentes e não somente as palavras.


No vídeo abaixo é um exemplo do uso de gestos com seu objetivo maior como o aumento da conscientização do que acontece no ambiente num dos objetivos do programa de RDI.





Também é possível trabalhar gestos com programas de ABA, estes programas definem a importância de aprender gestos, além de conscientização do que acontece no ambiente e entendimento de linguagem não-verbal, mas também o aumento da capacidade de ler pistas sociais; melhorar o funcionamento na sala de aula e em grupos em geral, inclusive o grupo familiar e desenvolve meios de comunicação adicionais.


Na nossa experiência, além de todos os objetivos descritos pelo ABA e RDI em relação aos gestos, nós descobrimos que o gesto, como movimento auxilia na produção oral do Pedro, é como se o gesto facilitasse a organização corpórea para que a fala flua com mais facilidade. Até hoje, o Pedro se apóia na ASL (American Sign Language – Linguagem de sinais) em dias que seu sistema sensorial está mais atrapalhado, e essa ferramenta auxilia na expressão oral.


Bibliografia:


Your Child’s Growing Mind, by Jane M. Healy, PH.D.
Smart Moves, by Carla Hannaford, Ph.D.
The RDI Book, by Steven E. Gutstein, Ph. D.
A work in progress, by Ron Leaf & John McEachin

Thursday, October 14, 2010

Olhar - Nossa experiência


O contato de olhar do Pedro aos 2 anos era quase inexistente, ele sim, trocava alguns olhares comigo porque sou a mãe, mas eram olhares breves e pouco freqüentes.


Aos 2 anos e meio começamos o nosso programa caseiro (sem consultora) de ABA seguindo o livro da Catherine Maurice, mesmo sentindo que algo não estava de acordo, fizemos o programa do "look at me" (olhe para mim e a criança ganha um reforço), guiada pelo instinto, fora da cadeirinha eu buscava o olhar do Pedro e fazia as minhas caretas, segui persistente mesmo com pouquíssimo retorno que vinha quase sem nenhuma qualidade no olhar.


Quando o Pedro estava com 3 anos a consultora comportamental entrou em nossas vidas e reformulou os programas de estímulo do Pedro. Os que se referiam ao olhar tinham como objetivo buscar o olhar do Pedro não importasse o esforço necessário da nossa parte, lenta mas progressivamente o olhar foi aumentando em constância e qualidade.




Instintivamente eu instalei espelhos pela casa, aqueles espelhos de corpo inteiro, porém eu pendurei estes espelhos na horizontal, principalmente nos lugares que o Pedro passava mais tempo, com isso eu trabalhava o olhar dele através do espelho o que pareceu ser mais fácil para o Pedro manter o olhar.

Estes espelhos depois serviram para trabalhar imitação motora e outros jogos de RDI, no vídeo abaixo é um exemplo de uma atividade de RDI mas eu resgatei nossas primeiras interações através do espelho, se você está começando a trabalhar o olhar use a sugestão sem o movimento de ir e vir, só a brincadeira no espelho mesmo.

http://http//www.youtube.com/user/dorionschenk#p/u/13/WTdq3ynDzg0

No vídeo também trabalhamos a fase de transmitir a mensagem só através do olhar (a direção que temos que ir).


Porém, antes de seguir instruções através do olhar, trabalhamos dentro do programa de ABA encontrar o tesouro seguindo olhar, a brincadeira tem duas etapas, na primeira etapa tínhamos 3 cestas exatamente iguais viradas de boca para baixo, então escondíamos um reforço embaixo de uma das cestas, com o olhar e somente com o olhar indicávamos ao Pedro em qual cesta estava o reforço, no início, para a indução de acerto chegávamos a encostar o nariz na cesta que o reforço estava escondido, e daí fomos afastando a indução de acerto até que com o tempo só o olhar na direção da cesta era o suficiente para dar a pista de onde encontrar o tesouro.


Na fase seguinte escondíamos o tesouro (reforço) em um lugar do quarto de terapia e indicávamos aonde estava somente com o olhar, novamente, por causa da mudança da estrutura da "caça" tivemos que encostar o nariz no lugar onde o reforço estava escondido, gradualmente fomos afastando a indução do acerto até que só o olhar na direção já disparava o Pedro pela caça ao tesouro.


Este foi um ponto importante que aprendemos na nossa jornada, o Luís tinha e mantinha um ótimo contato ocular de autista segundo um dos especialistas que nós consultamos, isso queria dizer que ele olhava para nós, porque assim foi treinado, mas o Luís não sabia que através do olhar buscamos informações sobre o ambiente e como devemos nos comportar. Para ele, e depois para o Pedro também desenvolvemos a brincadeira de limpar janelas e espelhos (e os espelhos ligavam para as primordias brincadeiras de buscar o olhar e imitação) somente seguindo as instruções do olhar, como indução de acerto (que foi necessária no começo) usávamos o apontar, mas jamais palavras para não competir com o foco que queríamos ensinar: o olhar como fonte de informação.

http://www.youtube.com/user/dorionschenk#p/u/8/kPNjkqws-H4


http://www.youtube.com/user/mariaschenk#p/u/18/MBuKJi9LSF4


Na rua ou em lojas como supermercados e lojas de departamento trabalhamos com o Luís o olhar pra saber qual caminho seguir, assim em cada encruzilhada ele sabia que teria que olhar para nós e com o olhar nós indicávamos o caminho a seguir. Assim construímos a referência através do olhar, tão importante para o amadurecimento emocional do Luís.

Wednesday, October 13, 2010

A importância do olhar

Olhar


Este é o primeiro fundamento da comunicação e da interação pessoal e é o que mais gera confusão.

Numa pesquisa rápida no Google eu encontrei algumas “explicações” do porque o contato visual é tão importante, entre elas é que olhar olho no olho quando conversamos com alguém é um sinal de respeito pelo emissor, outra é que os olhos são as janelas da alma e olhando nos olhos de alguém você conseguiria ver sua alma, outra é de que precisamos olhar para poder entender o que nos está sendo falado. São todos motivos válidos.


Para todas essas explicações você encontra comentários refutando-as, e todos os comentários são igualmente válidos. Assim, podemos entender o porque de tanta confusão sobre o tema.

A minha hipótese (educated guess) sobre o contato visual é que só olhando para alguém, para o rosto como um todo (e não focando só no olho, só na boca, só no nariz, etc) é que somos capazes de conectar com essa pessoa e com as emoções que estão por trás de sua fala.

Se a busca do olhar é o primeiro movimento humano em direção à interação e a comunicação não podemos ignorar a importância do olhar no desenvolvimento humano mesmo que não tenhamos um consenso em sua funcionalidade que provavelmente é múltipla.


A primeira infância é repleta de brincadeiras que exploram o contato visual, as caretas, prosódicos, a comunicação que cria vínculos e que não precisa de palavras.


As crianças com autismo ou não desenvolvem estas brincadeiras visuais com seus pais quando bebês ou perdem a qualidade e intensidade depois da manifestação da síndrome. Em ambos os casos é de extrema importância que haja o resgate desta fase de entender o olhar.


Basicamente, é importante ressaltar à criança com transtorno de desenvolvimento através de jogos, brincadeiras e atividades que o olhar é uma poderosa ferramenta de informação, tanto a comunicação que o olhar passa através da expressão, tanto a informação que conseguimos perceber no ambiente seguindo o olhar de alguém.


Os primeiros contatos visuais devem trazer prazer à criança para que essa busca por prazer traga a motivação para o aprendizado e exploração. É a criação de vínculos através do olhar que você pode ler mais no post: Por onde começar de set/2010, neste blog.

Sunday, September 26, 2010

Eu só quero que meu filho fale …



A comunicação de uma criança começa com seus primeiros choros e gradativamente se expande para também incluir expressões faciais, gestos e, por último, a fala.



A linguagem é muito mais do que simplesmente falar. A partir do dia em que a pessoa nasce, mãe e filho se comunicam através de conversas com olhares, sorrisos e linguagem corporal. A criança reage à voz da mãe e ao som do seu coração.



Quando a fala aparece, as primeiras palavras são substantivos (biscoito, suco, cachorro, copo) e são objetos familiares à criança.



A criança gosta de cantar músicas familiares e repetitivas, com rimas e melodias com seus cuidadores, o vocabulário cresce a cada semana e quando a criança já tem um repertório expressivo em torno de 50 palavras (substantivos que nomeiam coisas do seu ambiente direto) a criança começa a colocar substantivos e verbos juntos para formar frases de duas ou mais palavras, daí então a criança passa a adicionar em suas frases adjetivos e às vezes, preposições.



A completa maturidade da linguagem não acontece antes da adolescência, e possivelmente até depois dela. A linguagem usada numa função exploratória é a base para o pensamento, o maior implemento para o crescimento intelectual, porém essa linguagem não reside somente na oralidade.



É assim que se desenvolve a comunicação, e para uma criança com transtorno ou atraso no desenvolvimento deve-se “preencher” estas etapas para que a comunicação, e não somente uma fala desconecta, se desenvolva.



E por que nós nos comunicamos?



A capacidade de comunicação (seja qual for o meio de comunicação) permite que a pessoa expresse suas necessidades, suas emoções e é um canal para entender as pessoas e o mundo à sua volta de uma maneira que pode diminuir sua ansiedade e ampliar seus limites ao longo do tempo.



A comunicação é o meio mais comum de interação, porém nós temos sete finalidades distintas para a comunicação:



1. Instrumental: para satisfazer necessidades e desejos -“Eu quero água.”



2. Regulatória: para controlar o comportamento dos outros e o próprio – “Vamos combinar como nós vamos resolver qual o próximo filme que nós vamos todos assistir”; “Cada vez que você sentir que vai explodir, conte até dez.”



3. Interacional: para estabelecer e manter contato com outras pessoas – “Me conte da sua viagem à praia enquanto fazemos compras no supermercado.”



4. Pessoal: para expressar escolhas, assegurar-se e tomar responsabilidade – “Eu quero vestir a blusa de cor azul”; “Eu estou triste, preciso contar o que aconteceu na escola hoje”; “Eu posso conversar com meu colega amanhã e resolver este problema”.



5. Aprendizado: para fazer perguntas e receber informações – “Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”



6. Imaginação: para criar imagens e padrões, imaginar – “Vamos imaginar o que aconteceria se só tivesse chocolate para comer”.



7. Representadora: para passar informações a outros, para falar sobre idéias – “Vamos debater como poderíamos dar nossa contribuição para uma sociedade mais gentil”.



Porém, nem para a linguagem instrumental só falar basta, é necessário que a pessoa também entenda os princípios básicos da comunicação que envolvem a existência de um emissor e receptor, tom de voz, ritmo e entonação.



Para a comunicação social é necessário ainda mais, é preciso que se reconheça e se entenda linguagem não-verbal, interesses e tudo o que vai nas entrelinhas de uma relação interpessoal.


Bibliografia:


Moor, Julia (2006) – Playing, Laughing and Learning with Children on the Autism Spectrum – A Practical Resource of Play Ideas for Parents and Carers

Healy, J. (1987) - How your child’s growing Mind - Brain Development and Learning from Birth to Adolescence.

Hannaford, Carla (2005) - Smart Moves - Why Learning Is Not All In Your Head.

Hirsh-Pasek, Kathy; Golinkoff, Roberta (2004) - Einstein Never Used Flash Cards - How Our Children REALLY Learn - And Why They Need to Play More and Memorize Less

Wednesday, September 22, 2010

Autismo, cérebro, janelas .... o que é importante saber



Seu filho foi diagnosticado com autismo, pronto! Uma bomba-relógio está armada ao seu lado, muita informação vem e vai e assim começa a sua corrida contra o tempo porque alguém falou ou se leu em algum lugar que só há uma oportunidade de “salvação”, que existe somente uma janela de oportunidade que se fecha com o passar do tempo, que é responsabilidade sua ser hábil, em tempo e eficiência para moldar corretamente o cérebro do seu filho.


É uma situação de extrema pressão em cima de uma familia já fragilizada e assim aparecem inúmeros “vendedores” de milagres, alguns bem intencionados porque querem realmente acreditar naqueles milagres e outros com o único intuíto de aproveitar-se da situação, e nesse embolar de informações de um mundo todo novo, muitas vezes o bom-senso, o raciocínio lógico e coerente se perdem. Nesse turbilhão cheio de pressa e de desespero estamos nós, os pais de crianças com autismo e assim nos tornamos “presa” fácil de ilusões e ilusionistas.


Autismo não é uma sentença, não deve ser visto assim, seu filho é uma criança que terá desafios, dificuldades, porém o diagnóstico de autismo não te entrega um “manual”, só coloca em evidência o que é verdade para todo ser humano, o futuro do seu filho é mais obviamente incerto.


Claro, existe uma perguntas que perturbam dia e noite, e agora? O que fazer?


Neste ponto, o importante é manter na mente e o foco que as terapias, os objeivos das terapias, os tratamentos devam obedecer, no mínimo, a lógica. Devam ser fundamentados no que é natural para uma criança, porque um autista de dois, três, quatro anos é em primeiro lugar uma criança e deve ter o direito à infância, uma infância que já será parcialmente prejudicada por sua síndrome e que não deve ser destruída por um tratamento sem nexo que não respeita as etapas do desenvolvimento, e o tratamento deve é ajudar que essa criança goze das delícias e descobrimentos da infância que são a fundação para aprendizados futuros e mais complexos, porém, sem uma sólida fundação, não há como construir um arranha-céus e talvez, nem mesmo sustentar uma casa de um só pavimento. Com isso, vale repetir que a criança autista deve ser vista como criança acima de qualquer diagnóstico.

Existem muitos mitos acerca do cérebro humano e como seu desenvolvimento acontece e isso leva as pessoas a acreditarem que o cérebro é como um amontoado de argila que se pode moldar ao invés de encará-lo como um órgão desenvolvido pela natureza que é programado por milhões de anos de evolução, este mito é sustentado pelas publicações científicas que parecem publicar manuais de como ter cérebros melhores.

Com uma cultura encantada com a ciência, nós pegamos o pouquíssimo que se sabe sobre o funcionamento do cérebro e extrapolamos ao tentar explicar os vários aspectos do comportamento humano.
O que se sabe ao certo é que a pontuação nos testes de QI nada tem a ver com felicidade, competência e sucesso na vida.

De acordo com a Teoria de Inteligências Múltiplas de Howard Gardner nós temos sete tipos de inteligência: lógica/matemática, lingüística, visual/espacial, cinestética corporal, musical, interpessoal e intrapessoal.

Porém, na educação formal somente são enfatizadas as inteligências lógica e lingüística.

O Dr Daniel Goleman, autor do livro Inteligência Emocional, coloca as emoções no centro da aptidão para viver a vida de forma inteligente. Ele mostra que quando pessoas com QI alto não sucedem tão bem na vida e pessoas com um QI modesto se saem muito bem, o fator decisivo é a “inteligência emocional”. Isto inclue auto-controle, entusiasmo e persistência, e a habilidade de auto-motivação.
Porém, no autismo, um dos pontos chaves da dificuldade de desenvolvimento está justamente a cerca da “inteligência emocional” em todos, ou somente em alguns aspectos. As nossas crianças têm como desafio a motivação, a persistência, o auto-controle, a curiosidade.

O corpo, pensamentos e emoções estão intimamente unidos através de redes neuroniais complexas e funcionam como uma unidade para melhorar o nosso saber.

As pesquisas na neurociência estão ajudando a explicar como e porque um bom desenvolvimento emocional é essencial para entender relacionamentos, pensamento lógico, imaginação, criatividade e até a saúde do corpo.

Daniel Gelernter, cientista da computação, é enfático neste ponto: “Emoções não são uma forma de pensamento, não são uma forma adicional de pensamento, não são um bônus cognitivo, mas são fundamentais ao pensamento”.
Por tudo isso, focar a aprendizagem na área acadêmica além de ser fora da problemática central do autismo, dá a impressão às crianças que o aprendizado é uma tarefa ao invés de ser algo que vem naturalmente da curiosidade e da exploração.

É mais produtivo ajudar as crianças a fazerem conexões físicas e mentais através de brincadeiras que promovam a auto-regulação, e a infância está repleta destas brincadeiras, do que enfatizar informações pontuais específicas.

Especialistas em desenvolvimento concordam que o único fator que optimiza o potêncial intelectual da criança é um relacionamento seguro e de confiança com seus pais e cuidadores. O tempo gasto com chamegos, brincadeiras, atenção total e uma comunicação consciente com a criança estabelece uma relação segura e de respeito que é a base da pirâmide do desenvolvimento infantil.

Tudo isso quer dizer que para qualquer criança, seja ela de desenvolvimento típico ou com desafios, o melhor começo que pode ser dado em direção ao seu desenvolvimento pleno é a satisfação nos seus relacionamentos, para isso é preciso um raio-X do que está inadequado para que esse relacionamento tenha uma fluência de troca entre a criança e as pessoas que a cercam.

Sunday, September 12, 2010

Movimento - aprender com o corpo


Mas qual a necessidade para tanto movimento?


As pesquisas para entender como o cérebro processa levaram ao reconhecimento que o movimento ativa as conexões neuroniais através do corpo, fazendo com que o corpo inteiro seja o instrumento de aprendizado.


Movimento, particularmente balançar, girar, ou ficar de cabeça para baixo, ajuda a desenvolver uma área grande e importante por trás do tronco encefálico: o cerebelo, que se conecta ao sistema vestibular que está ligada aos mecanismos de equilíbrio no ouvido interno. O cerebelo também interage com os níveis frontais mais elevados no cérebro responsáveis pelas habilidades cognitivas como a linguagem, a interação social, a música, a capacidade de realizar atividades repetitivas automaticamente ( escrever a mão), e talvez a atenção.


Atividades físicas como jogar bola, escalar um brinquedo promovem a integração olhos-mãos, além de desenvolver a coordenação dos dois lados do corpo que é importante para as habilidades intelectuais baseadas em ligações entre os dois lados do cérebro.


Brinquedos que incentivam o jogo manipulativo desenvolve habilidades motoras finas e seqüenciamento, que estão relacionadas à atenção e habilidades de autocontrole, caligrafia e proficiência nas artes.



A ciência moderna nos ajuda a apreciar o papel de todo o corpo, e não somente o cérebro, e a importância do movimento e da brincadeira para que o aprendizado aconteça, porém a vida moderna tem feito o benefício desta descoberta cada vez mais difícil de ser alcançado.


As crianças de hoje passam horas em frente à televisão, videogames, computadores e com isso exercícios físicos regulares, brincadeiras imaginativas e espontâneas e conexões humanas íntimas somem da agenda diária.


Quando as pessoas se exercitam é de maneira competitiva ou compulsiva. Nossa existência diária é altamente estressante e como sociedade nós estamos constantemente sob medo, medo pelas nossas vidas, bem-estar e posses. Nós acabamos por nos sentir isolados e até deprimidos uma vez que a comunicação interpessoal diminui.


É comum, que a alternativa para diminuir o estresse, ansiedade e depressão sejam drogas, de uma forma ou outra.


Todos esses fatores diminuem a nossa capacidade de aprendizado e com isso diminui nossa criatividade e a capacidade de desenvolver nosso potencial.






Neuro plasticidade





Plasticidade neuronal é uma característica benéfica intrínseca do sistema nervoso que nos dá a capacidade de aprender e a habilidade de adaptação em resposta a um estrago - reaprender.

Logo após a concepção e por toda a vida, o sistema nervoso é um sistema em constante transformação e auto-organização. Não segue nenhum plano estabelecido e nunca está estático. Nós desenvolvemos nossas conexões neuroniais como resposta direta das nossas experiências na vida.


Enquanto nós crescemos, nos movemos, aprendemos, as células do nosso sistema nervoso conectam-se em caminhos e padrões complexos. Estes padrões são organizados e reorganizados por toda vida, permitindo que nós recebamos estímulos externos que nos dão a habilidade para performar os infinitos trabalhos da vida humana.

Movimentos integrados e voluntários parecem ser a chave para as conexões neuroniais. A mera repetição de um comportamento não determina que ele foi aprendido. Conexões neuroniais podem ser alteradas ou aparecerem novas somente se houver a atenção empenhada no movimento, foco no que fazemos.

Interação, curiosidade, exploração e experiências físicas pelo prazer e desafio de serem realizados facilita a neurogêneses por toda vida.

Atividades físicas e intelectuais desenvolvem tecidos cerebrais excedentes que compensam por estragos. Quanto mais você utilizar o seu corpo e mente, mais ele crescerá.

A plasticidade neuronial e a organização do sistema nervoso nos dão a janela para o potencial de aprendizado e cura por toda a vida.



Bibliografia:


How your child’s brain Grows. Brain Development and Learning from birth to Adolescence - by Jane M. Healy. PhD



Smart Moves: Why Learning Is Not All In Your Head - by Carla Hannaford

Thursday, September 9, 2010

Ser mãe


Ser mãe de uma criança com necessidades especiais faz com que o papel de mãe tome um rumo e uma dimensão jamais antecipada. As mães se tornam coordenadoras pedagógicas, enfermeiras, terapistas e militantes de uma causa. As mães aprendem jargões técnicos, procedimentos médicos e técnicas educacionais específicas.


Enquanto enfrentamos exaustão e frustrações, nos tornamos mais fortes e mais maduras. Nós cuidamos dos nossos filhos com necessidades tão específicas sem um pré-treinamento formal e com um reconhecimento e suporte limitado da comunidade em que vivemos.


As mães que seguem com seus trabalhos por necessidade financeira sentem-se constantemente em falta, e as mães que conseguem ter a opção de ficar em casa e dedicarem-se aos filhos encaram outros desafios, como isolamento e falta de tempo até mesmo para cuidar da própria saúde. Como resultado de tamanha dedicação que a situação requer, hobbies, ginástica, amizades e outros interesses diminuem radicalmente e em muitos casos até desaparecem.


Nós, mães sempre sentimos que deveríamos estar fazendo mais - pesquisar uma nova terapia ou medicação, fazer um telefonema que possa ajudar, militando por um programa especial ou reconhecimento da causa. Somente juntar toda a papelada e relatórios que acompanham nossos filhos já é uma montanha de trabalho.


Para as que temos mais de um filho, achar um balanço entre as necessidades urgentes e o que é importante para cada criança na maioria das vezes parece uma tarefa impossível. A maioria de nós acabamos o dia tão exaustas e exauridas de energia que até dormir fica difícil, com esse quadro manter o casamento estável e nutrido é muito difícil e requer muita paciência e amizade de ambas as partes.


Administrar tanto estresse e múltiplos papéis pode acabar por fragilizar a saúde da mãe e tirar o senso de bem-estar. Porém é essencial cuidar da sua saúde física e mental para poder cuidar do seu filho com necessidades especiais pelos anos à frente.


Seu filho pode ser o que há de mais importante na sua vida, mas não pode ser o único de importante. Quando as necessidades das crianças são demais, é fácil acabar numa posição de esgotamento.


A maioria das mães, de qualquer forma, encontram em elas mesmas uma força interior que elas jamais imaginariam que existia.


Enquanto pais e outros membros da família também fazem sacrifícios, as pesquisas mostram que são as mães quem suportam o peso de cuidar e criar as crianças com necessidades especiais.


Para muitas mães, especialmente aquelas que tem filhos com necessidades especiais, nossa realidade não combina com que a sociedade nos ensinou quando éramos jovens ou crianças. Se você cresceu nos anos 70 ou 80 provavelmente tinha a impressão que você poderia ter tudo: carreira, tempo com qualidade com a família, companheirismo e igualdade com o marido, uma casa em ordem e bem administrada e ainda ter tempo para ir atrás de suas paixões.


Porém, às vezes, nós passamos a vida de uma crise a outra e parece nem haver tempo para considerar seus objetivos pessoais porque já é difícil só levar o dia-a-dia.


De acordo com pesquisas, as mães mais felizes são as que conseguem acomodar suas expectativas com o que a vida nos traz, ou seja, as que são capazes de criar novos objetivos se a vida mostra que os anteriores são inatingíveis. Esta flexibilidade é o componente chave para resiliência (a habilidade de levantar e reconstruir). Se você tem resiliência, você será capaz de enfrentar os desafios, as frustrações e as perdas sabendo que os tempos difíceis vão passar encontrando um caminho para crescer com as adversidades da vida.


Segundo o pesquisador e psicólogo Dr Christopher Peterson da University of Michigan, você tem que distinguir entre a vida que é cheia de prazeres e a que é cheia de sentido.


Dr. Martin Seligman, um pioneiro na psicologia positiva e autor do livro "Authentic Happiness: Using the New Positive Psychology to Realize Your Potential for Lasting Fulfillment" existem três níveis de felicidade:


1. A vida de prazeres: este é o que a maioria das pessoas pensam como "felicidade"que na verdade é um subproduto da mídia, a vida deve ser repleta de emoções positivas.


2. A vida ocupada: as pessoas que se colocam em posições ocupadas usam suas habilidades para serem os melhores no que fazem. Geralmente seus interesses tomam quase todo o tempo de suas vidas e esses interesses são buscados com paixão.


3. A vida com sentido: Neste nível mais alto de felicidade, as pessoas que são dedicadas usam os seus interesses e talentos para um bem maior, o de ajudar o próximo e a comunidade. Elas buscam o que elas amam, enquanto fazem parte de algo maior que elas mesmas.


Por isso se você deixou seus objetivos de vida para trás, retome-os ou pense em outros que a realidade lhe trouxe à tona, mas tenha objetivos para você mesma!


Bibliografia de apoio:

Amy Baskin e Heather Fawcett - More than Mom - Living a full and balanced life when your child has special needs.