Thursday, September 2, 2010

Planejamento motor fino - nossa experiência


Ah! A dificuldade de segurar utensílios em geral, da colher a tesoura, passando pelo lápis tão importante para a escrita.


Nosso trabalho foi baseado em primeiro trabalhar os músculos das mãos, no caso do Pedro ele não tinha problema com produzir força na mão, mas sua dificuldade era em controlá-la, em segurar o lápis da forma correta e usar a tesoura, o que ele não gosta até hoje mas já consegue usá-la.


Os músculos do Pedro, incluindo das mãos sempre foram muito fortes, porém ele tem algumas dificuldades com alongamento/flexibilidade dos músculos, o que o coloca na dispraxia.


Nós trabalhamos muito com massinha de modelar, primeiro só cutucando a massinha com o indicador, a mão do Pedro não conseguia fazer o gesto de apontar, uma vez que o gesto estava formado com mais facilmente nós passamos a estimular o gesto estourando bolinhas de sabão.


Ainda com a massinha de modelar nós trabalhamos o controle fino usando rolo, cortador e moldando bolinhas e figuras simples como bonecos de neve. No começo o Pedro precisava de auxílio mão sobre mão até ele entender o movimento e a intensidade da força que deveria ser empregada.


Também trabalhamos andar como caranguejo, como carrinho de mão, engatinhar, movimentos que requerem o apoio das mãos no chão trabalhando força e a abertura das mãos e dedos.


A entrada do lápis, canetinha e giz se deu primeiro na posição vertical em lousa, segundo a TO que atendia o Pedro, essa posição vertical estimula o correto segurar do lápis.


Depois entramos com desenhos de formas geométricas, o infinito (8 deitado) que trabalha a integração dos dois hemisférios do cérebro, sempre utilizando a lousa e a posição em pé.


Das formas geométricas introduzimos os desenhos simples, formando imagens com base nas formas geométricas. Hoje o Pedro desenha lindamente, principalmente aos olhos da mãe, essa trajetória fica para outro post.


O Luís também teve dificuldade com as mãos, no caso dele era com a força das mãos, os exercícios físicos com apoio das mãos também ajudaram neste caso, além das pinças, uma idéia vinda de uma amiga que mora no Japão, nós brincavamos com pinças e bolinhas de algodão a princípio, depois com bolinhas de gude até chegar a usar chopsticks, que o Luís usa para comer até hoje.

Planejamento motor grosso- nossa experiência










O Pedro foi carinhosamente apelidado de criança King Kong porque quando ele passava levava tudo em seu caminho para o chão, ele tropeçava e levantava parecendo nem perceber o que tinha acontecido.

Outra característica interessante é que ele parecia perder o foco, vamos dizer, era uma falta de completar o que ele tinha planejado e não um voar no pensamento.

Teve uma vez em que ele pediu água, ele estava com sede, ou seja, o grande motivador estava presente, o pai serviu o copo de água e mostrou ao Pedro, o Pedro viu e só precisava atravessar uma sala pequena para alcançar o copo d'água e matar sua sede, porém, depois de dois passos ele parecia não saber o porquê estava se movendo, o que tinha planejado fazer, mesmo que o motivador, a sede no caso, ainda estava presente.

O Pedro sempre foi de muito movimento mas, tinha algo no mover-se dele que me intrigava, ele parecia não estar muito no controle dos movimentos, muitas vezes até era nítido que o movimento do corpo dele era o que controlava a pessoa dele.

Com isso fomos apresentados aos problemas de planejamento motor, academicamente conhecida por dispraxia motora grossa. O cérebro do Pedro se perde, hoje com menos freqüência e intensidade, no como executar os movimentos seqüenciais para a tarefa, a reação dele aos estímulos também é mais lenta, o que complica mais todo o processo.

O que nós fizemos para ajudá-lo foi dar ao seu sistema nervoso central muita experiência em movimentos seqüenciais, uma vez esses movimentos assimilados pelo cérebro eles passam a ser automáticos e a execução de tarefas mais eficiente, o desgaste de energia e atenção desprendida também é menor para movimentos que deveriam ser automatizados, com isso "sobra" mais atenção e energia para interagir com o mundo.

Dentro das estratégias de estimulação que nós usamos foram incluídas muita dança com movimentos simples porém que variavam conforme o ritmo e a letra da música, a velocidade era bem diminuída, por isso, ao invés de usar música gravada nós cantávamos ou mantínhamos o ritmo com a nossa voz. Essa diminuição na velocidade era levando em consideração a forma mais lenta que o Pedro processava as informações.

Também trabalhamos as coreografias das músicas infantis, e aqui aproveitávamos para incluir movimentos do Brain Gym, o constante mudar a cabeça de posição e bilateralidade, tudo muito lento dando o tempo de amadurecimento das novas conexões neuroniais que estávamos estimulando.

Outra atividade usada foi o circuito, aqui eu preparei um percurso que incluíam vários movimentos distintos, o objetivo era treinar o cérebro a mudar de um movimento a outro completamente diferente. Os movimentos haviam sido previamente ensinados por imitação através do ABA e aqui deveriam ser performados com um enfoque de amadurecer o planejamento motor.

Um percurso seria pular como sapo em cinco tapetinhos quadrados colocados no chão, depois subir numa plataforma e saltar com os pé juntos, depois engatinhar através de um túnel, depois girar dentro de um bambolê e terminar com cinco polichinelos. Este circuito era modificado a cada 15 dias em média. Alguns movimentos eram mantidos, porém em ordem distintas, outros movimentos eram substituídos.

Alguns problemas que nós enfrentamos foram em manter o Pedro no circuito ou criar uma previsibilidade do que ele tinha que fazer, nós resolvemos isso colocando uma fita crepe no chão para delimitar a área do circuito, primeiro a fita crepe delimitava os dois lados, duas faixas paralelas, depois ele já conseguia se manter no circuito só com uma faixa de fita crepe, até q a fita crepe foi totalmente eliminada. Para ajudá-lo na previsibilidade nós colocamos folhas no chão escrito o que ele deveria fazer (pular como sapo, saltar, engatinhar, rodar), nós aproveitamos a habilidade de leitura do Pedro, para uma criança que ainda não saiba ler, porém precisa desse suporte é possível usar figuras explicando o que ela deve executar.

Exercícios mais avançados de planejamento motor são a corda bamba e a parede de escalada. É interessante que na corda bamba a tensão da corda seja mudada, assim cria mais desafio, na prática isso acontece naturalmente porque os nós cedem, então é só lembrar de não apertar tão prontamente, para a parede de escalada as agarras devem ser móveis, assim podem ser criados caminhos de escalada diferentes forçando com que a mente esteja sempre engajada na ação.

Tuesday, August 31, 2010

Sensory-Based Motor Disorder (SBMD)


Sensory-Based Motor Disorder (SBMD)- Transtorno Sensorial de Base Motora - é o problema em estabilizar, mover-se ou planejar uma série de movimentos em resposta a um estímulo sensorial.

Esta modalidade ocorre nos sentidos "escondidos", proprioceptivo e vestibular (músculos, movimento e gravidade) pois não respondem de uma forma que o indivíduo consiga perceber seu próprio corpo no espaço e controlar precisamente seus movimentos.

O sistema proprioceptivo permite que nós percebamos aonde estão as partes do nosso corpo em relação uma das outras e manda os sinais de quanto esforço deveremos colocar nos nossos músculos para mover o nosso corpo.

O sistema vestibular nos mantem informados de onde estamos no espaço, da posição da nossa cabeça.

Crianças com Transtorno Sensorial de Base Motora tem dificuldade em seqüenciar movimentos.

Dentro do grupo de transtorno sensorial de base motora a criança pode ter:

Dispraxia que é a dificuldade em traduzir informações sensoriais em movimentos físicos, movimentos novos ou movimentos com etapas múltiplas.

Esta dificuldade pode ser na área motora grossa e por estas crianças não terem um natural senso de onde seus corpos estão no espaço e em relação às outras pessoas e objetos, é comum que estas crianças tropecem ou trombem em pessoas e coisas constantemente.

A dispraxia motora fina geralmente se torna evidente pela dificuldade da criança de alcançar objetos, segurar objetos pequenos e liberar de suas mãos objetos intencionalmente.

A habilidade de executar trabalhos escolares também é profundamente afetada.

E a criança pode apresentar dispraxia oral que são as dificuldades em torno da boca com o uso da língua, lábios e músculos da boca. Geralmente estas crianças tem dificuldade com sugar, engolir e respirar profundamente, além da dificuldade de manter a boca fechada causando que a criança babe.

Crianças com dispraxia geralmente têm pouca tolerância frente a frustrações e pouca auto-estima causadas pela extrema dificuldade de realizar atividades básicas.

Problemas Posturais é a dificuldade em manter o controle adequado do corpo para efetuar tarefas motoras. Baixo tônus muscular causam os problemas de postura, baixo tônus muscular nas costas e abdômem influenciam todas as posturas, da escrita às brincadeiras de parquinho e baixo tônus muscular na região da boca pode dificultar o controle do maxilar inferior que causará inúmeros outros problemas relacionados a boca, da baba a respiração incorreta, passando pela fala e mastigação.

Quando as crianças têm um bom controle da postura conseguem utilizar seus corpos efetivamente, elas conseguem puxar, empurrar, alcançar e resistir e empenharem a força necessária para completarem as tarefas do cotidiano.

A postura correta do corpo nos proporciona uma base estável, porém móvel para o movimento da cabeça, olhos e membros.

Bibliofrafia:

Sensational Kids - Hope and Help for Children with sensory Processing Disorder (SPD) by Lucy Jane Miller, Ph.D., OTR

Sensory seeking - nossa experiência


O Pedro é uma criança em constante movimento, coloca as mãos em tudo, pula, corre, mexe a cabeça, vai de encontro aos móveis e paredes, agarra, aperta, amassa as pessoas, coloca areia na boca, lambe postes, cheira canetinhas, dá gritinhos só para ouvir a própria voz, tudo isso desde bem cedo no dia, por volta das 6 da manhã.

Quando no trampolim ele começa a pular sozinho, depois quer a presença de um adulto (mais pesado que ele) assim o reflexo do pulo da outra pessoa dá mais input ao seu salto, depois ele se joga de costas no trampolim com um salto, depois ele pede para ser "basketball" que é uma brincadeira inventada com o pai em que o outro pula e dá impulsos no Pedro deitado no trampolim como se ele fosse uma bola de basket. É assim que ele escala em busca de mais estímulo sensorial.

Adora passar as coisas no rosto, coloca areia, folhas, terra na cabeça, está em constante busca por estímulos sensoriais e nada parece saciar a sua “fome”.

As palmas das mãos, plantas dos pés, rosto e região genital são as áreas do corpo que tem mais sensores em que os estímulos sensoriais são percebidos com mais intensidade.

Quando ainda morávamos nos EUA, durante o mês de verão o Pedro ia para o jardim, descalço às 6 da manhã e lá ele corria, pulava, brincava no balanço, colocava a mão na terra como táticas para suprir sua necessidade sensorial enquanto eu ainda abria os olhos e o irmão dormia.


Nos meses de inverno e dias de chuva na primavera o Pedro ficava no nosso “indoor park” que era um quarto da casa cheio de brinquedos que estimulam o sistema vestibular e proprioceptivo.


Até hoje o Pedro precisa de auxílio para canalizar a energia, temos que levá-lo a caminhadas, supermercado em que ele empurra o carrinho, ajuda a carregar as compras, andar de bicicleta e eu arduamente estou tentando estimular a Yoga. Nos finais de semana temos que fazer um revezamento, meu marido e eu, e enquanto um sai com o Pedro para direcionar seu excesso de "energia" o outro descansa com o irmão.

O que eu percebi é que o mover-se por mover-se sem engajar o cognitivo faz muito pouco (até mesmo nada ou prejudica) a organização do processamento sensorial do Pedro, por isso eu tento canalizar a busca sensorial do Pedro com algo que tenha um objetivo, os esportes são ótimas ferramentas que podem ser exploradas nesse sentido.


Além disso eu faço uso de essências pela casa, velas com cheiro doce como baunilha ou morango além de dar o estímulo no olfato acalmam pela essência. a terapia da escovação, massagem com vibrador elétrico, massagem nos pés com hidratante de hortelã, música suave como música Celta ou Bethoveen, limito ao máximo o tempo de televisão, meus filhos ainda não tem acesso mínimo ao computador, engajo nas rotinas da casa com as atividades do RDI incorporando carregar e puxar para trabalhar os músculos, alimento todos os sistemas sensoriais para diminuir essa fome constante, e assim vamos tocando a vida.

Para as crianças que são sensory seeking apenas dizer “fique quieto” tem pouquíssimas chances de surtir efeito por mais de 3 segundos, mas se elaborada uma dieta sensorial a criança vai estar “nutrida” sensorialmente e assim terá mais disposição para focar a atenção.

Se o ambiente é na escola, a criança pode mover as cadeiras, empurrar contra a parede, carregar livros, levar bilhetes para outras salas antes das tarefas que requeiram concentração e que tenha que ficar sentado.

Se a criança for sensory seeking na boca, que é a região que tem o maior poder de organização sensorial no nosso corpo, você pode oferecer alimentos que estimulem essa organização como mastigar cenoura crua, tomar iogurte ou outra bebida espessa pelo canudinho, mascar chiclete, se a mãe e a escola permitirem.

Wednesday, August 25, 2010

Under-responsivity - nossa experiência


O Pedro até por volta dos 5 anos e meio foi uma criança muito tranquila, e até certo ponto, nunca deu muito trabalho, parecia não se importar com nenhum estímulo e não tinha resistência a mudanças.

O grande problema foi pelo fato dele "não dar trabalho", no jardim de infância as professoras consideravam ele reservado, mas como ele não incomodava ninguém, esse comportamento pouco natural para uma criança entre 1 e 2 anos não foi encarado como um problema. Já em casa, nós acreditávamos que ele era hiperativo, ou agitado pelo menos, isso acontecia porque o Pedro tem duas formas de distúrbio de modulação sensorial - sensory modulation disorder (SMD), ele é under-responsivo (resposta baixa ou inexistente) e Sensory Seeking (constante busca por estímulos sensoriais).

No tempo que o Pedro passava no jardim da infância, os estímulos não eram suficientes para fazer com que o cérebro dele mandasse comandos de ação, de curiosidade, mas ao mesmo tempo a sua fome por estímulos sensoriais crescia e em casa, um ambiente que ele se sentia seguro, começava sua busca incansável por estímulos sensoriais, muita desta busca está ligada ao sistema vestibular e isso é o que impele a agitação.

Após o diagnóstico, já aos 3 anos, nós enfrentamos o mesmo problema na pré-escola de educação especial, ele não incomodava, ficava "desligado" num canto da sala e precisava de uma auxiliar para movê-lo de um lado para o outro, em casa parecia um vulcão em erupção.

Vocês podem imaginar o quanto eu fiz o papel de mãe louca frente as escolinhas com a preocupação que o Pedro era hiperativo, e foi somente quando ele estava com 4 anos que eu descobri a resposta para essa quietude na escolinha (que eu não acreditava) e o vulcão em casa (que a escolinha não acreditava).

Com esse conhecimento, foi possível traçar um plano para aumentar o estado de alerta do Pedro quando na escola e foram implementados programas para que ele fosse "obrigado" a estar envolvido na rotina da escola, assim ele deixava de ser um expectador passivo para ser um aluno atuante. Não foi uma mudança fácil, houve muita resistência por parte da escola alimentada pela resistência do Pedro, mas quando essa mudança aconteceu, em pouco tempo surgiu um "novo" Pedro na sala de aula e assim o sonho da integração começava.

O fato do seu sistema sensorial ser under-responsivo causa um enorme atraso na resposta ao estímulo. Segundo nossas observações o Pedro tinha um atraso de 15 a 30 segundos na resposta ao estímulo. Na prática, isso aparece como uma não reação e depois uma ação sem lógica.

Um exemplo é de um dia o Pedro passou espremido entre a mesa da cozinha e a geladeira e bateu a cabeça na geladeira, pareceu não sentir o golpe e 20 segundos depois, já no meio do jardim, começou um choramingo de reclamação.

Ele tinha uma resistência a dor muito grande e essa é a parte que mais me assustava pois poderia colocá-lo em risco.

Quando seu irmão Luís arrancava o brinquedo da mão do Pedro ele também tinha um atraso na reação e até nós descobrirmos isso creditávamos que ele não se importava que o irmão arrancasse os brinquedos da mão dele e ao mesmo tempo, parecia aborrecer-se por nada.

Para tentar auxiliá-lo a desenvolver uma reação mais rápida a consultora educacional da escola implantou um programa de ABA focado em fluência, com cartões de figuras, essa tentativa durou 4 meses e todas as pessoas envolvidas sentiam-se desconfortáveis com o programa pois ele ataca a lentidão como um comportamento que a criança controla e não como um problema de natureza sensorial da criança.

O Pedro também teve um programa de Terapia de escovação com o objetivo de abrir os canais sensoriais na pele.

Trabalhamos também um protocolo chamado Astronaut Training que visa regular o sistema vestibular e foca também na visão. Além disso ele usou prismas que ajudaram muito num primeiro momento a ele reconhecer o espaço que o corpo dele ocupava, o Pedro foi carinhosamente apelidado de "King Kong" por uma terapeuta por causa da maneira que ele se movia levando tudo a sua volta com ele para o chão.

Com uma consultora nós fizemos um programa chamado Tomatis Therapy que tem o objetivo de acelerar a resposta do Pedro e trabalha no plano sensorial com o sistema vestibular. Mais tarde nós passamos para o ILS que deriva da técnica Tomatis.

O tratamento do Pedro foi centrado na família, pois é assim que deve funcionar o tratamento de uma criança com SPD, pais e terapeutas são parceiros que desempenham papéis diferentes, porém essenciais.

Juntos, eles devem pensar sobre a rotina diária em que a criança está e assim trabalhar para atingir os objetivos que reflitam a cultura e valores da família.

Monday, August 23, 2010

The Wilbarger Protocol - Terapia da escovação



O Protocolo Wilbarger é um programa de terapia destinada a reduzir a defensiva sensorial ou tátil. As crianças que apresentam sintomas de defensividade tátil são extremamente sensíveis ao toque. Isso pode causar um medo ou resistência ao ser tocado, dificuldade de transição entre as atividades e / ou letargia. A terapia foi desenvolvida por Patricia Wilbarger, médica e terapeuta ocupacional.


Não há muita comprovação de pesquisa sobre o protocolo Wilbarger. No entanto, muitos pais de crianças com autismo têm relatado que veem diminuições na defensiva sensorial e ansiedade como resultado da utilização dessa técnica. Algumas das vantagens do protocolo Wilbarger podem incluir capacidade melhorada para a transição entre as atividades diárias, atenção melhora, diminuiu o medo ou desconforto de ser tocado, uma melhora da coordenação e auto-regulação.


A rotina completa de escovação geralmente leva apenas 2-3 minutos. O primeiro passo do tratamento envolve o uso de uma escova de plásico macia que é passada como uma escovação sobre a pele da criança, utilizando uma pressão muito firme, é como uma massagem de pressão profunda. Escovação começa nos braços, mãos, costas, pernas e pés. As áreas do rosto, peito e estômago nunca são escovadas, porque estas são áreas sensíveis que podem causar reações adversas.

A terapia da escovação é recomendada inicialmente a cada 2 horas, enquanto a criança está acordada. Os terapeutas normalmente re-avaliam o nível de escovação após duas semanas. Com base nessa observação o intervalo das escovações pode ser modificado. A escovação continua, enquanto há benefícios para a pessoa. É comum que se atinja momentos de plateu, então a escovação pode ser suspensa e retornar ou não posteriormente, conforme avaliação de observação.


Após a terapia de escovação, os terapeutas podem também prescrever dez suaves compressões nas juntas dos ombros, cotovelos, punhos, dedos, quadris, joelhos, tornozelos e esterno. Outra maneira de se obter a compressão nas juntas é fazer pole-chinelo, flexões de braços ou pular numa cama elástica.


Finalmente, o terapeuta pode também sugerir uma Técnica Táctil Oral. Esta técnica consiste em uma estimulação dentro da boca com o dedo percorrendo o interior da boca da pessoa. Isso é útil para crianças com defesa oral. (Estas crianças podem ter problemas com os alimentos por causa de sua textura ou recusam ter seus dentes escovados.)

Se você acha que seu filho iria beneficiar-se do Protocolo Wilbarger, é importante procurar a orientação de um terapeuta ocupacional. O TO deve ter conhecimentos de integração sensorial e saber como usar o protocolo Wilbarger. Se o tratamento for realizado de forma incorreta não será eficaz e pode ser e pode ser muito desconfortável para o indivíduo.

Sunday, August 22, 2010

Over-sensitivity - nossa experiência


O Luís é nosso segundo filho, então nada mais lógico que amamentar, trocar as fraldas e a hora do banho não sejam tarefas desafiadoras pois já tínhamos a experiência do primeiro filho, certo?

Certo se não fosse um detalhe, o Luís reagia de uma forma estranha e agressiva a essas simples rotinas diárias.


Por volta dos 4 meses o Luís desenvolveu um verdadeiro pavor ao banho, a hora do banho era um tormento para ele, para mim e provavelmente para os vizinhos por causa dos gritos.

Trocar as fraldas era um verdadeiro rodeio, e por volta de 1 ano e meio ele não podia suportar a sensação de uma fralda suja, nem por um segundo, tirava na hora e assim espalhava pelo chão.

Cortar as unhas, pés e mãos era outro tormento, tivemos que desenvolver um método de trabalho em equipe para executar essa tarefa, corte de cabelo também era outra situação traumática.


Hoje, consigo escrever sobre esses episódios com um sorriso no rosto pois eles fazem parte do passado, é certo que ainda precisamos de algumas técnicas para executar o corte de unhas e lavar os cabelos, mas o Luís desde os 3 anos e meio já se veste sozinho, usa o banheiro com perfeição, dia e noite, gosta de cortar o cabelo e até considera as idas ao cabeleireiro um programa legal, as unhas e lavar os cabelos ainda precisam de técnica, mas já e possível fazer com um só adulto na ação.

Algumas técnicas que ajudaram e ainda ajudam o Luís a controlar e superar as suas reações sensoriais:

Brushing Therapy também conhecida como Wilbarger Protocol
, esta é uma técnica usada para tratar disfunções de integração sensorial. Ela consiste de uma escovação pelo corpo com uma escovinha plástica cirúrgica bem macia e compressão nas juntas feitas gentilmente para estimular os nervos da pele, esta massagem funciona como um "organizador" sensorial e assim auxilia no controle das emoções.

http://www.youtube.com/watch?v=XV9AsyL7izI

Com crianças como o Luís que são extremamente sensíveis sensorialmente, este protocolo deve ser introduzido aos poucos, primeiro só escovar as mãos, depois escovar as mãos e fazer a compressão nas juntas e aos pouquinhos, conforme a criança vai se sentindo confortável você vai introduzindo mais a massagem com a escovinha.

Nós demoramos 1 ano e meio até conseguir fazer a massagem completa no Luís, mas depois de 15 dias que ele havia aceitado a massagem completa, passou a calçar qualquer tipo de sapato, e a não necessitar de meias o tempo todo. Isso foi uma grande conquista para nós, pois o Luís usava meias de inverno até na praia e era o primeiro impecilho para o banho, retirar as meias, aos 4 anos ele conseguia revezar o calçar em 4 pares de sapatos, 1 par de tênis, 2 sandálias e 1 par de chinelos, o que com 2 anos era inimaginável. Ele só aceitava um único par de sapatos e quando ficavam pequenos eu tinha que mover montanhas para encontrar um igual, tamanho maior.


Nós também utilizamos os princípios do ABA como quebra em pequeninas etapas para desinsetização do toque e texturas; muita análise para detectar o que incomodava no banho assim desenvolver uma estratégia.

Aplicamos uma pequena pressão nas pontas dos dedos antes de cortar as unhas, assim prepara o corpo a receber o estímulo do corte.

Aos 5 anos o Luís ainda tem algumas questões em torno do seu sistema sensorial, mas nada que o impeça de desfrutar a vida, ele gosta de abraços, mas desde que sejam de pessoas que ele realmente tem afeto, quando nervoso, ficar só ainda é a melhor estratégia, mas após a tempestade já gosta de colo para uma aconchego.

Marie